Metodologias ativas e a avaliação

Avaliar não é fim. Avaliar é processo. Uma ação a serviço da aprendizagem!

Em nosso percurso como estudantes, desde os anos iniciais, nos deparamos com “provas” que tinham como principal objetivo verificar o quanto retivemos dos conteúdos que foram apresentados por um professor em sala de aula. Devolver esses conteúdos em uma prova era a forma dos professores identificarem nossa compreensão do conteúdo, atribuir uma nota e passar para a próxima etapa. Quem não tivesse boa nota, poderia ser avaliado novamente, talvez com uma nova prova, enquanto as aulas sobre o conteúdo do próximo período (mês, bimestre, trimestre) continuava acontecendo em sala de aula. Esse formato de coleta de dados não considera os diferentes olhares para cada conteúdo trabalhado em sala de aula, nem sempre considera a adequação aos objetivos de aprendizagem e, mais ainda, nem sempre tem como propósito identificar as evidências para os próximos passos que se pretende dar.

O que é uma avaliação formativa?

A avaliação é considerada multidimensional por diversos autores. Considerar o processo avaliativo por diferentes ângulos é um movimento importante quando identificamos o potencial da avaliação em sua conexão com a aprendizagem. Avaliamos para poder oferecer melhores experiências de aprendizagem ou as experiências de aprendizagem são desenhadas para melhorar o desempenho na avaliação?

Nessa perspectiva, concordamos com Zabala (1998) quando discorre sobre a avaliação inicial, avaliação reguladora ou formativa, e avaliação final ou somativa. Identificar os conceitos cotidianos construídos pelos alunos sobre o tema a ser trabalhado é o ponto de partida da ação educativa; durante o processo, é importante analisar os avanços conceituais dos estudantes; ao final de cada etapa do processo é o momento de verificar se os objetivos de aprendizagem foram atingidos. Nesse percurso, idas e vindas acontecem o tempo todo, replanejando a ação educativa, acertando os rumos a serem tomados, retomando o que for necessário para todo o grupo ou para alguns estudantes. Avaliar, nessa perspectiva, está profundamente conectado com o tipo de experiência que será ofertada os estudantes, de qualquer faixa etária, para que os resultados sejam cada vez mais conectados às necessidades dos estudantes. […]

Desenhar experiências de aprendizagem transforma o papel do professor, que deixa de ser alguém que transmite conteúdos e verifica se eles foram apreendidos, para um designer de percursos educacionais. Para desenhar esses percursos, é importante que o educador tenha dados em mãos, dados que são obtidos por meio de uma avaliação formativa, digital ou não, e que podem incluir as plataformas adaptativas, questionários online, além da observação, discussão, interação “olho no olho”. Diversas pesquisas (BACICH, TANZI NETO, TREVISANI, 2015; BACICH, MORAN, 2017) têm enfatizado esse olhar para a personalização em que os estudantes podem ser estimulados a entrar em contato com diferentes experiências de aprendizagem, aquelas de que necessitam, porque têm dificuldade, e aquelas que podem oferecer oportunidade de irem além, pois não estão relacionadas às suas dificuldades, mas às suas habilidades. Essas experiências podem envolver diferentes elementos, digitais ou não, que favoreçam a comunicação, a colaboração, a resolução de problemas, pensamento crítico.

BACICH, Lilian. Recolhendo evidências: a avaliação e seus desafios. In: BACICH, Lilian e HOLANDA, Leandro. STEAM em sala de aula. Penso, 2020 (no prelo).

 

Livros para pensar a educação de hoje

Frequentemente me perguntam sobre os livros que recomendo para aprofundar estudos sobre a educação de hoje, com foco nas metodologias ativas, no ensino híbrido e em outros temas que venho estudando em minhas pesquisas. Há alguns temas que considero fundamentais para discutirmos aspectos que fazem parte do planejamento de um bom currículo, de uma boa aula e, principalmente, que favorecem uma reflexão atual sobre o que é relevante na educação de hoje.

Vamos às sugestões, algumas delas já publicadas em outras fontes e outras mais recentes:

Planejamento para a compreensão

Neste livro, o educador se depara com um novo formato de pensar o planejamento de uma experiência de aprendizagem, de uma aula, de um curso. Mais do que programar uma sequência de atividades a serem realizadas pelo estudante, planejar a aprendizagem significa ter clareza de onde se pretende chegar para, então, traçar o caminho que será seguido. Considero uma leitura de referência para quem pretende inovar nos percursos sem perder a qualidade de uma formação. No link abaixo, é possível acessar o primeiro capítulo da publicação, que tem as bases do planejamento para a compreensão.

livros para educaçãoTítulo: Planejamento para a Compreensão: Alinhando Currículo, Avaliação e Ensino por Meio da Prática do Planejamento Reverso
Autores: Grant Wiggins e Jay McTighe
Editora: Penso
Ano: 2019

 

 

Rodadas Pedagógicas

Descreve a importância do trabalho em rede, baseado na observação de aulas e posterior discussão dos aprendizados dessa prática. A obra está em sintonia com propostas de formação continuada de professores, em que o percurso formativo envolve a comunidade escolar e tem como foco a melhoria das experiências de aprendizagem desenhadas por professores, mas com o principal propósito de melhorar a aprendizagem dos estudantes.

livros para educaçãoTítulo: Rodadas Pedagógicas: Como o Trabalho em Redes pode Melhorar o Ensino e a Aprendizagem
Autores: Elizabeth A. City, Richard F. Elmore, Sarah E. Fiarman e Lee Teitel
Editora: Penso
Ano: 2014

 

 

Metodologias ativas para uma educação inovadora

O livro que assino com o renomado professor José Moran, e que conta com um grupo de educadores incrível nos capítulos que produziram para a obra, apresenta uma reflexão sobre experiências de aprendizagem que consideram o estudante no centro do processo. As ideias apresentadas no livro são alinhados com as de John Dewey, pensador que pôs a prática em foco, e articulados com propostas que defendem a inovação na aprendizagem.

livros para educaçãoTítulo: Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora: Uma Abordagem Teórico-Prática (série Desafios da Educação)
Autores: Lilian Bacich e José Moran
Editora: Penso
Ano: 2018

 

 

Avaliação em sala de aula

O livro traz reflexões importantes sobre diferentes formatos de avaliação que podem ser utilizados em uma sociedade altamente conectada como a nossa. Além de apresentar sugestões de práticas em sala de aula que consideram a utilização de rubricas, portfólios e outros recursos.

Título: Avaliação em sala de aula: conceitos e aplicações
Editora: Penso
Ano: 2014

 

 

 

Habilidades fundamentais pra o mundo de hoje: o foco triplo

“Neste livro, Peter Senge, especialista em pensamento organizacional e pensamento sistêmico do mit [Massachusetts Institute of Technology] e autor de A quinta disciplina, e Daniel Goleman, autor de Inteligência emocional e fundador do movimento pela aprendizagem social e emocional, examinam as ferramentas internas de que os jovens
precisarão para contribuir e prosperar neste novo ambiente. Eles descrevem três conjuntos de habilidades cruciais para se orientar em um mundo acelerado de distrações crescentes e envolvimento interpessoal ameaçado — um mundo no qual as ligações entre as pessoas, os objetos e o planeta são mais importantes do que nunca. Pense nesses
conjuntos de habilidades como um foco triplo — interno, no outro e externo.” (p.8)

Título: O foco triplo: uma abordagem para a educação
Editora: Companhia das letras
Ano: 2016

 

 

 

 

Atualmente, estou finalizando mais uma obra, organizada com Leandro Holanda, com o objetivo de trazer uma discussão sobre STEAM. Os autores que fazem parte da publicação são pesquisadores e, mais do que isso, professores que utilizam as abordagens em sala de aula. Em breve, trarei mais notícias dessa publicação por aqui.

Espero que aproveitem as leituras!

Bett Educar 2019

Bett1405

Neste dia, a proposta é discutir experiências desenvolvidas por escolas parceiras da Tríade Educacional e seus desafios e as possibilidades de implementar abordagens que envolvem a personalização, como o Ensino Híbrido, discutido por Michelle Pinheiro (Colégio Beka), e as Redes de Saberes, apresentada pela Aline Scravoni Costaurta Ohnuki (SESI-SP).

Bett Educar 2019

Bett1705

Leandro1705

Um dos temas que levaremos, pela Tríade Educacional, para discutir na Bett Educar será o STEM/STEAM na educação básica. O foco é apresentar recursos que possibilitem aos professores pensarem em aulas com essa abordagem e oferecer aos gestores oportunidades de repensar a prática em sala de aula por meio da integração de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Para saber mais:

Texto na revista Nova Escola.

Curso online na plataforma de cursos da Nova Escola.

Esperamos vocês lá!

Vamos falar sobre Projetos?

Muitos de vocês já devem ter ouvido falar ou, até mesmo, já utilizaram Projetos em suas escolas.

É difícil dizer em que momento os projetos foram inseridos nas práticas docentes, podemos generalizar dizendo que todo professor já criou ou participou de algum projeto em sua escola, seja o projeto da mostra literária, ou da feira de ciências, projeto água, projeto super-heróis. Continue lendo “Vamos falar sobre Projetos?”

Podemos exercitar empatia na escola?

A BNCC da educação básica aponta dez competências gerais que devem fazer parte dos nossos planejamentos escolares. A Competência 9 trata da empatia. Segundo o texto: “Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.” Continue lendo “Podemos exercitar empatia na escola?”

6 características de escolas inovadoras

Você já parou pra pensar no que faz uma escola ser considerada inovadora? Considero que há várias questões envolvidas nessa “virada de chave”, principalmente quando analisamos escolas mais tradicionais. Tradicionais no sentido de que já têm uma tradição consolidada em uma determinada forma de fazer. O que pretendo, neste post, é indicar características observáveis em escolas que são consideradas inovadoras, não o que as fez se tornar uma. Quem sabe, ao analisarmos essas características conseguiremos, olhando do fim pro começo, pensar em uma trajetória que faça sentido. Vamos lá?

Continue lendo “6 características de escolas inovadoras”

Como as pessoas aprendem?

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A proposta deste texto não é trazer a resposta a essa questão, mas discutir alguns resultados recentes de pesquisas sobre o tema para auxiliar a análise sobre as melhores formas de desenhar experiências de aprendizagem. Atuando na formação de professores, ao compartilhar experiências consideradas transformadoras ao possibilitar o protagonismo e o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, ouço com frequência o questionamento: Qual a prova de que deste ou de outro jeito é melhor? 

Será que há evidências que nos ajudem a reforçar essas escolhas

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Aprendizagem Baseada em Projetos: desafios da sala de aula em tempos de BNCC

Artigo publicada pela autora, em parceria com Leandro Holanda, na Revista Educatrix, ano 8, no 14, 2018. Disponível aqui.

Em meio a uma gama de novas metodologias de aprendizagem, nem tudo que vemos é tão novo assim… Projetos, por exemplo, são amplamente adotados no ambiente educacional e nos acompanham desde sempre. É difícil determinar em que momento eles foram inseridos nas práticas docentes, mas é certo que todo professor já criou ou participou de algum projeto em sua escola, seja o projeto da mostra literária, ou da feira de ciências, projeto água, projeto super-heróis. Essas ações surgem nas instituições de ensino com o objetivo de integrar conteúdos curriculares e relacioná-los a temas que precisam ser discutidos no ambiente escolar e que, em algumas situações, não fazem parte do currículo da instituição. Dessa maneira, passam a fazer parte na forma de projetos. Continue lendo “Aprendizagem Baseada em Projetos: desafios da sala de aula em tempos de BNCC”