Vamos conversar sobre STEAM?

Ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, em inglês, compõem as iniciais da palavra STEAM. O termo tem sido utilizado com as iniciais em inglês por ser um movimento mundial e, cada vez mais, tem sido recorrente nos discursos educacionais e, por esse motivo, talvez, vemos surgir estratégias que prometem revolucionar a educação por meio dessa abordagem. Começo esse texto defendendo que não há uma bala de prata na educação: não é por meio do STEAM, das metodologias ativas, dos projetos que iremos solucionar todos os desafios na educação. Mas, com muito equilíbrio, pode ser mais uma das peças desse enorme quebra-cabeça que precisamos montar para desenvolver habilidades tão importantes para os cidadãos do século XXI.

“É importante estabelecer que não existe uma única metodologia ou estratégia que seja capaz de transformar a educação. Esse processo é lento e requer planejamento minucioso, seja o planejamento das atividades que serão realizadas para proporcionar essas experiências de aprendizagem, seja um planejamento institucional estratégico que envolva um redesenho de espaços, de infraestrutura, da formação docente.”

BACICH e HOLANDA, 2020

Para trazer as questões fundamentais do STEAM que temos defendido, pois há muitas e variadas definições para a abordagem, levanto 3 pontos pra começo de conversa:

1. STEAM como abordagem e não como metodologia

Se o acrônimo trata da reunião de áreas (ciências, tecnologia, engenharia, artes e matemática), não há como encontrarmos um passo a passo para a execução de propostas que consideram o STEAM em sua essência. Assim, não há um método para o STEAM, mas há elementos fundamentais que podem apoiar a escolha de um método adequado para a implementação da abordagem. Podemos considerar que a resolução de problemas e a inclusão das diferentes áreas na sua resolução, em um formato transdisciplinar, é uma das maneiras de considerarmos o STEAM na educação.

2. Robótica, pensamento computacional, maker podem fazer parte do STEAM, mas apenas o uso desses recursos não torna um projeto STEAM

O uso de uma estratégia de robótica, considerando a programação, o maker, etc., pra construir uma engenhoca sem que ela se relacione com um problema a ser resolvido (que é a essência da “engenharia”), apenas favorece o exercício de procedimentos importantes e interessantes, mas não trabalha com a essência do movimento STEAM education. Corremos o risco, como já vimos em outras situações, de nomear toda e qualquer experiência que utiliza a tecnologia digital como uma experiência STEAM.

3. A ciência e a tecnologia são fios condutores da abordagem STEAM, e sua implementação depende de um planejamento de longo prazo

Para não tornamos o STEAM mais uma palavra da moda, é importante ter clareza de que inseri-lo na construção de experiências de aprendizagem significa dar sentido às práticas realizadas. Ações pontuais, que não se incluem de forma orgânica à realidade de sala de aula, tendem a desaparecer do mesmo jeito que chegam… para considerar a ciência e a tecnologia nas rotinas escolares, fundamental que existam conexões entre aquilo que os educadores consideram suas necessidades e, mais ainda, que oferecem condições de promover o desenvolvimento integral dos estudantes.

Além desses pontos, há muitos outros e espero tornar esse post um início de conversa. Para isso, convido você a participar, nos comentários, com dúvidas ou reflexões sobre a abordagem. Vamos construir juntos?

Referência:

BACICH, Lilian; HOLANDA, Leandro. STEAM em sala de aula: a aprendizagem baseada em projeto integrando conhecimentos na educação básica. Porto Alegre: Penso, 2020.

Podcasts sobre os capítulos do livro> Spotify

Educação Híbrida:

Reflexões essenciais para uma educação híbrida (BACICH, MORAN, FLORENTINO, 2021)

[…]

Neste texto, defendemos a ideia de uma Educação Híbrida, que considere as definições do Ensino
Híbrido, enfatize a participação de todos os atores envolvidos e o redesenho das combinações possíveis de espaços, tempos e metodologias para oferecer melhores experiências de aprendizagem, e contemplar as diferentes realidades do nosso país, considerando propostas com e sem o uso de tecnologias digitais. […]

Para uma reflexão sobre uma educação híbrida, identificamos alguns pontos essenciais. 

  1. O primeiro se refere aos aspectos fundamentais para que a educação híbrida atinja todo o seu potencial, colocando o estudante e as relações que ele estabelece com o conhecimento no centro do processo.
  2. O segundo ponto está relacionado aos modelos de implementação que podem ser organizados em diferentes cenários.
  3. O terceiro ponto diz respeito à formação dos educadores para que a educação híbrida possa ser organizada de forma equilibrada, coerente e abrangente.

O estudante no centro do processo

Para que o estudante esteja no centro do processo, é necessário considerar diferentes aspectos que possibilitem o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo. Para isso, as experiências de aprendizagem devem ressignificar o papel dos estudantes e do professor; incluir diferentes espaços (digitais ou físicos, na escola);  considerar uma avaliação formativa e que repercuta em novas trilhas de aprendizagem ou redirecionamento de trilhas já existentes; contar com uma gestão que ampare escolhas e esteja aberta aos erros construtivos inerentes a processos inéditos e inovadores; entender os recursos digitais como potencializadores das ações de investigação, troca entre pares e construção de conhecimentos capazes de repercutir nas concepções de toda a comunidade escolar e, consequentemente; contribuir para a adoção de uma mentalidade de crescimento que impacte na transformação de uma cultura escolar centrada no professor para uma visão de construção coletiva e redesenho de papéis (BACICH et al, 2015).

Modelos de implementação

Os modelos utilizados nas publicações sobre ensino híbrido se combinam, se integram e ganham relevância com o foco na aprendizagem ativa dos estudantes, que é uma premissa para a educação híbrida. As metodologias ativas envolvem um percurso metodológico que possibilita a ação do estudante envolvendo-o na aprendizagem por descoberta, por investigação, por resolução de problemas e por projetos. Elas procuram criar situações de aprendizagem nas quais os aprendizes possam produzir, pensar e conceituar o que fazem, construir conhecimentos sobre os conteúdos envolvidos nas atividades, bem como desenvolver a capacidade crítica, refletir sobre as práticas que realizam, oferecer e receber feedback, aprender a interagir com colegas e professores e explorar atitudes e valores pessoais. Assim, não há modelos únicos ou propostas que não podem ser combinadas, desde que se tenha como ponto de partida uma estrutura em que o estudante esteja no centro do processo, ele que desenvolve competências e habilidades.

Formação docente

Aspectos centrais da formação docente precisam ser considerados. Entre eles, podemos destacar o desenvolvimento das competências digitais dos docentes, alinhadas ao conhecimento do conteúdo e ao conhecimento pedagógico do conteúdo. O objetivo é que a inserção das tecnologias digitais, ou outros recursos, amplie as possibilidades dos estudantes interagirem com as habilidades e competências que se pretende desenvolver – preferencialmente com, mas também sem o uso de recursos digitais.

A Educação Híbrida, ao incluir a personalização e o redesenho das experiências de aprendizagem, apresenta-se como uma possibilidade de impulsionar a escola para o que se espera do século XXI, fazendo com que a comunicação, a criatividade, o pensamento crítico, a colaboração e a resolução de problemas tenham um papel ainda maior que uma lista de conteúdos distribuídos em um planejamento anual.

(BACICH, Lilian; MORAN, José; FLORENTINO, Elisangela. Educação híbrida: reflexões para a educação pós-pandemia. POLÍTICAS EDUCACIONAIS EM AÇÃO. Número 14 – abril de 2021. Leia o documento na íntegra aqui.

Quais suas reflexões sobre esse texto? Compartilhe nos comentários e, caso queira conhecer nossas propostas de formação docente, entre em contato conosco pelo WhatsApp.

Engajamento dos estudantes: algumas reflexões

Podemos considerar que esta estudante demonstra engajamento? O que determina o engajamento de um estudante? De qual engajamento estamos falando?

O engajamento dos estudantes, em aulas online, no período remoto; em aulas presenciais, no retorno às escolas; nos modelos mistos, quando parte dos alunos está na instituição de ensino e parte em casa; entre outras configurações tem sido um questionamento frequente de educadores que lecionam desde a educação infantil até o ensino superior. Várias podem ser as respostas possíveis sobre como melhorar este engajamento. Porém, antes de mais nada, seria interessante uma reflexão: de que engajamento estamos falando? Do engajamento intelectual/cognitivo com os objetos de conhecimento? Do engajamento acadêmico com o que se espera do papel do estudante em sala de aula? Do engajamento socioemocional com a experiência de aprendizagem, com os colegas, com o docente?

Outro ponto relevante a ser analisado é se a afirmação sobre maior ou menor engajamento da turma está sendo generalizada pela falta ou excesso de engajamento de alguns estudantes. É muito comum ouvirmos relatos de professores que comentam: “os estudantes quase não participaram da aula hoje…”. Algumas vezes, nem todos falaram, perguntaram, interagiram. Outras vezes, apenas alguns participaram todo o tempo. A primeira reflexão é que esses questionamentos não são decorrentes da pandemia, mas sempre existiram nas salas de aula. Em seguida, vamos refletir sobre três pontos: selecionar como coletar informações sobre os tipos de engajamento, identificar ações que podem ser realizadas para engajar, verificar o impacto e rever as estratégias escolhidas.

  1. Coleta de informações

Ao diferenciar os tipos de engajamento, coletar evidências sobre o engajamento acadêmico verificando como os estudantes interagem com as propostas em sala de aula, sabendo que essas informações trarão dados diferentes de acordo com a faixa etária. Os estudantes dos anos iniciais, por exemplo, que no final de 2019 estavam na educação infantil e, hoje, estão no final do 2o ano, podem apresentar dificuldade na compreensão da rotina da aula, na organização dos materiais, até mesmo no uso de livros didáticos ou cadernos. Os do ensino médio, que estavam gerenciando o tempo de uma forma mais “fluida” no período remoto, podem mostrar-se mais impacientes com as rotinas de aulas com menos tempo de descanso entre elas. Em relação ao engajamento cognitivo, é importante ter clareza sobre as aprendizagens essenciais que precisam ser desenvolvidas, verificando se as propostas estão sendo realizadas com facilidade ou dificuldade pelo grupo de estudantes (e cada um deles) e se a dificuldade tem relação com os aspectos acadêmicos ou com os objetos de aprendizagem e desenvolvimento selecionados. No engajamento socioemocional, várias questões precisam ser analisadas pois as emoções estão “a flor da pele” nesse momento e percebemos, principalmente com os alunos mais velhos, uma maior impaciência e agitação em alguns, e o oposto, em outros. Listar quais são, na sua instituição, as necessidades de engajamento acadêmico, cognitivo e socioemocional que são relevantes e, ao acompanhar os estudantes trabalhando em pequenos grupos, observá-los, registrando suas impressões, além de incluir momentos de conversa com os estudantes de forma individual. Registros são muito importantes para não se confiar apenas na memória, pois, nesse momento, professores têm muitas demandas e ainda se adaptam à nova rotina, com todo o impacto emocional que, enquanto seres humanos em uma pandemia, também enfrentam.

2. Identificação das ações

Com os registros das observações, importante listar ações específicas a serem adotadas em relação a cada um dos elementos listados. Para o engajamento acadêmico, escolha um dos itens que precisa ser melhor apropriado e, se possível, estabeleça pequenas concessões sempre que possível, como um maior tempo de descanso entre as atividades (em relação ao que ocorria antes da pandemia) o que também apoiará emocionalmente os estudantes, orientações procedimentais para o uso dos materiais escolares, etc. Para os aspectos cognitivos, porém, há necessidade de repensar percursos metodológicos. Como já comentado por aqui, em outros textos, a mesma aula para todos os estudantes não oferecerá oportunidades iguais para todos… Nesse sentido, construir experiências de aprendizagem que considerem as necessidades dos estudantes é fundamental.

3. Verificação e revisão

Verificar o impacto das ações planejadas e revisar o proposto é essencial nesse processo. Assim, manter uma postura de pesquisador, principalmente no momento atual, quando identificamos uma dificuldade de engajamento emocional dos estudantes no retorno às instituições de ensino e a necessidade de promovermos avanços cognitivos e acadêmicos. Nesta postura de pesquisador, coletar informações sobre cada um dos estudantes torna-se necessário, para evitarmos generalizações.

Para saber mais sobre os tipos de engajamento:

RUTHERFORD, Camille (2021). FOCUSING ON STUDENT ENGAGEMENT.  In: HAN, Huili; WILLIAMS, James H.; CUI, Shasha. Tackling Online Education: Implications of Responses to COVID-19 in Higher Education Globally, p. 47 – 61.

Ensino Híbrido e a personalização

Sala de aula e sua heterogeneidade. Fonte: Pixabay

A sala de aula sempre foi heterogênea, porque é assim que são os seres humanos… se não temos as mesmas características físicas, emocionais, não aprendemos da mesma forma e nem tampouco nos mobilizamos pelos mesmos tipos de estímulos. Apenas numa imagem como essa temos alguma homogeneidade e, como podemos ver, falta cor…

Vamos refletir, então, do que estamos falando quando tratamos de personalização nesse retorno às aulas presenciais. Muitas vezes, nem queremos ouvir falar mais sobre ensino híbrido, mas queremos saber como resolver os desafios com os quais nos deparamos nesse retorno. Falar sobre personalização pode nos ajudar nesse momento. E, veja, a personalização de que trato aqui e em outras publicações não está meramente apoiada em tecnologias digitais e/ou plataformas adaptativas que sozinhas fazem todo o “serviço”. Esse é um equívoco que ainda encontramos em críticos do ensino híbrido que entendem o termo como uma ação mecânica, realizada por algoritmos e distanciada do papel do humano nesse processo. Não é sobre isso que discutimos quando tratamos de ensino híbrido!!

No retorno às aulas presenciais, alguns aspectos são muito importantes para que possamos, em um primeiro momento, atuar com um foco maior na diferenciação para, então, avançarmos para o objetivo de personalização, em que os estudantes conseguem identificar como aprendem melhor e, assim, desenham seus percursos de aprendizagem de acordo suas necessidades e interesses.

Selecionei, de um dos materiais formativos da Tríade, a imagem a seguir e, a partir dela, trago alguns elementos que são fundamentais para essa atuação com um foco maior na diferenciação, em um primeiro momento.

  1. Identificar aprendizagens essenciais: dentre as habilidades selecionadas para aquele ano escolar, quais seriam as aprendizagens essenciais que você gostaria de priorizar neste semestre? Lembre-se: menos é mais! Selecione aquelas que são realmente essenciais nesse momento.
  2. Avaliação diagnóstica: a partir dessa seleção de habilidades, realizar a avaliação diagnóstica presencialmente, para que você consiga obter registros escritos, mas também possa conversar com os estudantes sobre: “O que levou você a fazer essa escolha ao responder a essa questão?”.
  3. Mapear o processo: estabeleça metas, indique quais são seus prazos, quando você pretende chegar em um determinado ponto e o que pretende fazer durante esse processo. O apoio da coordenação é fundamental nesse momento, com a troca entre pares sobre o andamento do processo e o desenho de intervenções que se façam necessárias.
  4. Planejar as aulas: com esses dados em mãos, planejar experiências de aprendizagem que possam endereçar os principais pontos a serem desenvolvidos. Por exemplo, na imagem temos uma estação com leitura e interpretação de texto, uma com atividades mão na massa, outra com produção de mapa conceitual, enquanto o professor está realizando uma atividade com um pequeno grupo. Lembre-se de que nas estações, também precisam ser priorizados os aspectos socioemocionais, não apenas os cognitivos…
  5. Compartilhar com os estudantes: implique-os nesse processo compartilhando com eles quais são os desafios para que os feedbacks sejam constantes e que a motivação para alcançar os objetivos auxilie-os no desenvolvimento da autonomia.
  6. Monitorar: avaliação formativa (outro assunto que você também vai encontrar em vários textos aqui no blog) é fundamental. Colete informações continuamente para poder agir sobre elas, replanejar, desenhar novas metas e, sempre, envolver estudantes (e seus familiares) no processo.
  7. Replanejar: o tempo todo, o processo precisa ser retomado e novas metas desenhadas, compartilhadas, monitoradas.

Neste processo, sabemos muito bem que vários aspectos precisam ser repensados e, assim, atuar continuamente na reflexão sobre os melhores caminhos para a implementação do Ensino Híbrido tem sido um desafio. As tecnologias digitais, a serviço do olhar docente e discente sobre o processo, podem ser elementos mediadores desse percurso, desde que estejam presentes na instituição de ensino e/ou nas moradias, obviamente.

Materiais para aprofundar a reflexão

Aprendendo sempre/Ensino Híbrido: curadoria de materiais que selecionei para a coalização dos institutos e fundações.

The end of average: livro de Todd Rose que apresenta importantes reflexões sobre a dificuldade de lidar com a “média”.

Diferenciar, individualizar e personalizar: texto do Porvir.

Personalização na prática: outro texto aqui do blog, em que falei sobre o assunto.

Gostou e quer citar este texto? Veja aqui como fazê-lo!

Avaliação: as rotinas de pensamento

Neste post, resolvi trazer uma outra linguagem para compartilhar as informações: os podcasts! Primeira vez que utilizo esse recurso aqui nas postagens do blog e seria interessante você comentar, contando o que achou dos áudios.

Rotinas de pensamento são elementos que podem ser utilizados de forma muito interessante quando pensamos em uma avaliação formativa, ou seja, em recolher dados para planejar com foco em personalizar as experiências de aprendizagem.

As rotinas de pensamento foram desenvolvidas por um grupo de pesquisadores do Project Zero, da Faculdade de Educação de Harvard, e têm como objetivo tornar visível o pensamento dos estudantes por meio de propostas simples e que podem ser utilizadas em contextos variados de qualquer segmento de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Superior, e em qualquer componente curricular. 

A ideia dessas propostas é que elas se repitam, por isso são denominadas “rotinas”, para que os estudantes se apropriem e possam utilizá-las mesmo que não sejam questionados pelo professor. São rotinas que podem ser utilizadas em diferentes situações, desde um primeiro contato com um objeto de conhecimento, como um aprofundamento, um levantamento de argumentos, e muito mais.

Selecionei algumas delas e, nos áudios, tem um passo a passo sobre como utilizá-las.

Rotina de pensamento: Conecta, amplia, desafia
Rotina de pensamento: Eu costumava pensar…. agora eu acho que….
Rotina de pensamento: Vejo, penso, me questiono

As rotinas apresentadas neste post foram traduzidas dos materiais disponíveis em: https://pz.harvard.edu/thinking-routines

Espero que sejam úteis!

Ensino Híbrido: algumas publicações

Neste post, compartilho algumas publicações em que estive envolvida em 2020 e 2021. Nelas, o objetivo é apoiar escolas e redes a repensar o retorno às aulas presenciais com o foco no Ensino Híbrido. Há diferentes definições para o termo e, nas publicações que apresento a seguir, há possibilidades para refletir sobre o potencial do Ensino Híbrido promover uma reflexão de estratégias pedagógicas que impactem na implementação do currículo e no desenvolvimento integral dos estudantes. Segue breve resumo das publicações e os links para acesso ao material completo.

Nota técnica 18, produzida em parceria com o CIEB

Nessa Nota Técnica, escrita em parceria com Lúcia Dellagnelo e Maria Alice Carraturi, foi possível apresentar reflexões sobre a visão de uma escola conectada e um retorno às aulas que também considere o desenvolvimento de competências digitais de estudantes e de educadores. A Nota também traz reflexões sobre a implementação que precisam ser consideradas para um uso qualificado da proposta em sala de aula. Acesse aqui!

Artigo publicado por FGV/CEIPE em abril/2021

Nesse artigo, escrito em parceria com José Moran e com o apoio da Elisângela Florentino, trazemos reflexões sobre a ideia de uma educação híbrida, que incorpora as definições de Metodologias Ativas, do Ensino Híbrido e que vai além nas orientações para a formação docente que considera o uso de diferentes recursos para promover a equidade. O documento número 14 está disponível no site da FGV-Ceipe. Acesse aqui!

Nota técnica produzida em parceria com o Instituto Península

Nesta Nota Técnica, a reflexão sobre a implementação do Ensino Híbrido e o foco na formação docente foram os fios condutores. A Nota pode ser acessada aqui.

Espero que aproveitem o acesso a esses materiais, multipliquem em suas escolas e redes e deixem seus comentários por aqui sobre suas impressões. Boa leitura!

Escolhas e o futuro da educação

https://pixabay.com/pt/photos/dist%C3%A2ncia-p%C3%A9s-sapatos-4610699/

Nestes últimos tempos, nós, pesquisadores da educação, somos muito questionados sobre como vemos o futuro da educação a partir de tudo que estamos vivendo hoje, pressionados pelo uso de tecnologias digitais, ou pela completa ausência delas em muitas realidades no nosso país.

Somente podemos contemplar a educação em uma perspectiva de futuro. Embora seja realizada no presente, sempre dará seus frutos não hoje, mas no futuro, em um momento que estará mais ou menos próximo do presente. Essa condição tem que nos importar, precisamente por isso, porque educar é fazer algo pelo “dia de amanhã”, que é dos outros que nos seguirão.

SACRISTÁN, 2015.

Quando pensamos em filmes que apresentam a viagem no tempo como temática (sempre adorei!!), vemos a preocupação dos roteiristas sobre não alterar nenhum evento no passado para que o futuro não seja comprometido. Então, e se pudéssemos fazer o contrário: mudar alguma coisa no passado recente para que o que vivemos hoje na educação estivesse sendo diferente, o que seria? Desde as questões mais distantes do que podemos fazer como educadores, como oferecer recursos digitais (entre muitas outras coisas) para todos os estudantes do país, como aconteceu no Plano Ceibal do Uruguai, até aquelas que dependem diretamente das experiências educacionais que promovemos nas instituições de ensino. E é sobre isso que gostaria de dedicar este texto.

Se nossas escolhas anteriormente fossem diferentes em alguns pontos, talvez os resultados hoje fossem outros:

  1. Desenvolvimento da autonomia dos estudantes: se os estudantes fossem estimulados a investigar, desde os anos iniciais, tendo tempos de estudo mediados por educadores, mas com propostas a serem realizadas de forma mais autônoma e responsável, revisando seu trabalho durante todo o processo, identificando pontos de melhora e, com apoio de pais e educadores, procurando avançar para construir conhecimentos e perceber a validade do processo para a além da nota do bimestre, o que seria diferente de muitos desafios que temos hoje?
  2. Aprendizagem significativa: se as propostas estudadas na escola estivessem sempre relacionadas aos desafios do mundo real, ou gerassem propósito por interessar os estudantes em resolver problemas significativos; se os educadores preparassem suas aulas para apoiar os estudantes na identificação desses problemas, mas que o tempo de apresentação de “conteúdos” escolares fosse muito menor do que o tempo dedicado para o desenvolvimento de habilidades, gerando mais protagonismo dos estudantes nesse processo.
  3. Colaboração: se a centralidade não estivesse em ouvir uma aula, mas em viver uma aula, trabalhando em duplas, trios, pequenos grupos, aprendendo nas relações humanas que se estabelecessem nesse processo, com pares, sempre com o suporte e a mediação de educadores que desenham esse contorno das interações possíveis nesse processo.
  4. Avaliação: se avaliar fizesse parte do processo, e não apenas uma constatação do término dele, envolvendo a avaliação por rubricas, portfólios, autoavaliação, com feedback constante para que as evidências de aprendizagem dessem condições de que todos os envolvidos (estudantes, educadores, pais) pudessem avançar juntos para o próximo passo, ou retomar o que fosse necessário, sem a preocupação com a nota no fim do percurso.

Esses são apenas algumas preocupações que estudantes, pais e educadores têm relatado no momento em que vivemos hoje… Mas o propósito do meu texto não é “chorar o leite derramado”: é refletir sobre escolhas. Aquelas que precisamos fazer hoje. As escolhas que fizemos, no passado, apontaram para os desafios que estamos vivendo hoje. Então, aquelas escolhas que fizermos no retorno às aulas presenciais, hoje, também irão impactar sobre o que teremos no futuro da educação.

O futuro como um lugar ou espaço do tempo não existe no presente, mas é no presente que somos chamados a intervir para condicioná-lo.

SACRISTAN, 2015.

Se esse retorno nos der possibilidades de avançar em relação aos desafios que apontei acima, será que não teremos um futuro de que poderemos nos orgulhar? Se os recursos digitais utilizados agora, no retorno às aulas, tiverem a função de ser mais um espaço de aprendizagem, no lugar de ser um meio de transmissão de aulas expositivas, será que não desenvolveremos mais habilidades dos estudantes, principalmente se elas forem avaliadas como processo? Se os espaços de aprendizagem, online, remoto, físico (sala de aula, quadra, praça) que precisamos desenhar agora forem utilizados para aquilo que podem ofertar como experiência de aprendizagem, respeitando os limites e possibilidades de cada espaço, será que não teremos mais oportunidades de tornar a aprendizagem mais significativa? Se a relação entre os estudantes der condições para a construção colaborativa de conhecimentos, mediados ou não por recursos digitais, envolvendo quem está em diferentes locais, será que não conseguiríamos descentralizar ainda mais o papel do professor e valorizar a colaboração e a empatia nas ações realizadas na escola?

São essas algumas das reflexões sobre escolhas que precisamos sempre fazer como educadores… Convido você a explorar outros textos que escrevi por aqui sobre os desafios da implementação do ensino híbrido e compartilho a referência do texto do Sacristán que provocou essas minhas reflexões:

SACRISTÁN, J. G. Por que nos importamos com a educação no futuro? in JARAÚTA, B. e IMBERNÓN (orgs.) Pensando no futuro da educação: uma nova escola para o século XXII. Porto Alegre: Penso, 2015.

Com diálogo e envolvimento de educadores e familiares, ensino híbrido se torna sinônimo de inovação em escola de Guarulhos (SP)

No processo de retorno às aulas presenciais, Colégio Carbonell acredita que mudanças nas estratégias de ensino são fundamentais na adaptação ao contexto da pandemia da COVID-19

[Reportagem publicada originalmente no site da Tríade Educacional]

Foi relendo o Projeto Político Pedagógico do Colégio Carbonell, em Guarulhos (SP), que a mantenedora Andrea Lourenço e demais educadores chegaram à conclusão de que a implementação das estratégias de ensino híbrido é o melhor caminho para o retorno às aulas no contexto da pandemia da COVID-19.

“Nos deparamos com um trecho que nos ajudou a buscar outra forma de retomar as aulas em 2021: É nossa responsabilidade como educadores e como cidadãos trabalhar com inteligência para ajudar o país a superar o atraso histórico no campo da educação.  E, para isso, temos que compreender que a escola terá de mudar porque o mundo mudou. O aluno não pode ser mais, como foi no passado recente, um repositório de conhecimentos. A barreira a ser transposta está muito mais alta. O aluno terá que aprender a pensar, aprender a aprender. Pois o mundo que ele irá encontrar, ao concluir os estudos, vai ser muito diferente do que aquele que havia no início da sua caminhada como estudante. Novas profissões terão surgido. E outras atividades tradicionais terão sido esquecidas. A escola não pode mais correr o risco de formar alunos em áreas que talvez não existam no futuro Assim, entendemos que o ensino híbrido seria a melhor alternativa para esse retorno.  Feita a escolha, partimos para nos aprofundar ainda mais nos estudos e preparar os professores”, explica Andrea.

Colégio Carbonell conta com cerca de 700 alunos, da Educação Infantil ao Médio, e desde 2009 tem Andrea Lourenço à frente. A seguir a educadora explica como o ensino híbrido se mostrou uma alternativa em tempos de incertezas e restrições. Ele foi aplicado até meados de março de 2021, quando a volta gradativa dos estudantes estava autorizada.

Até a publicação desta reportagem, a escola conta com 100% de ensino remoto por orientação das autoridades sanitárias para o Estado de São Paulo, mas o Carbonell mantém o desafio de retornar ao presencial, assim que possível, nos moldes em que iniciou o ano letivo.

Desafios e propostas

“Diante das incertezas e restrições, entrei em contato com Lilian Bacich, líder pedagógica da Tríade, para uma conversa com nossos professores sobre as estratégias do ensino híbrido. Naquele momento tive a confirmação: o ensino híbrido seria a nossa escolha, mesmo com as adaptações que o momento nos impõe, e também após a pandemia.

Se pensarmos no mundo dinâmico em que vivemos, a forma de ensinar pouco ou nada se afetou nos últimos anos. Neste sentido, a pandemia acabou trazendo grandes transformações. Entendemos que, para superarmos esse momento, é necessário muito estudo e disposição, e acreditamos que a mudança é fundamental para a sobrevivência das instituições de ensino.

Os educadores foram guerreiros em 2020 e continuam com grandes desafios em 2021. Não é fácil mudar as estratégias de uma forma tão rápida. São anos de uma prática única, entrando na sala e trabalhando sobre um tablado. São anos de aulas expositivas que deram muito certo.

Assim, dialogamos com gestores de escolas que puderam retornar às aulas ainda em 2020. Conhecer as dificuldades que tiveram nos ajudou a entender que a simples transmissão de aulas era algo que não queríamos mais fazer. O Carbonell é um colégio inquieto e preocupado em preparar os estudantes para o mundo. Como então poderíamos continuar ‘dando aulas’ e acreditando que o aluno continuaria passivo?”

Na prática

“Em fevereiro de 2021, quando estava autorizado o retorno gradativo às aulas, iniciamos com um grupo de estudantes online e um grupo presencial. Além disso, dividimos nosso bimestre em fases para melhor organizar os tempos e as nossas análises sobre o processo de implantação.

Pedimos aos professores que criassem roteiros de estudos para que os alunos que estão em casa pudessem estudar no que chamamos ‘modo autônomo’. Organizamos uma agenda com momentos de autonomia e momentos presenciais com todos os educadores. Nossa intenção era a de que quando o estudante estivesse com o professor, aproveitasse intensamente.

O retorno dos alunos chegou repleto de desafios. Para que tudo acontecesse da melhor forma, preparamos a equipe de professores, apresentamos a proposta aos pais, explicamos aos alunos e acompanhamos o planejamento. Ainda assim, a ansiedade foi inevitável, com familiares e alunos emocionados, e até mesmo sem dormir na noite anterior ao retorno”.

Andrea Lourenço

Recomeço, adaptação e aprimoramento

“Mantivemos em fevereiro um trabalho intenso de conversas individuais, reuniões por segmento, por série e grupos. Houve certa resistência das famílias no princípio, porque achavam que as crianças não iriam se adaptar, mas elas seguiram todos os protocolos de saúde e progrediram de forma autônoma e muito responsável. Além disso, os estudantes perceberam o quão rico é estar com o professor depois de já ter estudado, lido e feito exercícios.

Entendemos que adotamos um modelo distinto da prática usual. O diferente gera ansiedade e insegurança, mas também contribui para o     desenvolvimento de muitas habilidades importantes. O aprendizado ativo precisa acontecer nas escolas, com o foco no estudante, tendo o professor como mediador e orientador do processo de aprendizagem.

Percebemos a importância de adaptarmos o trabalho aos poucos, ouvindo alunos e famílias, mas percebemos uma maior compreensão que o modelo anterior à pandemia, que tradicionalmente tem o professor no centro do processo, não cabe mais. Temos muito para aprender e melhorar, mas os resultados foram muito satisfatórios”.

O Colégio Carbonell participou da formação de professores em 2021, desenvolvida pela Tríade Educacional. Para conhecer o trabalho que desenvolvemos para as escolas privadas, entre em contato conosco por email (contato@triade.me) e para saber mais sobre os cursos da Tríade, acesse www.triade.me/cursos

Rede municipal de Ponta Grossa adota ensino híbrido para o retorno às aulas presenciais

Apesar de algumas adaptações por conta da pandemia da COVID-19, a abordagem tem se mostrado eficaz

O ensino híbrido tem se mostrado uma importante alternativa aos desafios enfrentados pelos educadores da rede municipal de ensino de Ponta Grossa, no Paraná, no planejamento de retorno às aulas presenciais.

“Como o momento inspira muitos cuidados, avaliamos a estrutura de nossas escolas e concluímos que, para garantir o distanciamento previsto no protocolo de segurança, teríamos que dividir as turmas em dois grupos, um com aulas presencial e outro com aula remota”, explica Elisangela Chlebovski Martins, educadora que atua na Gerência do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal do município. “De acordo com cada grupo, o educador também pode desenvolver a aprendizagem dos estudantes com estratégias mais específicas, favorecendo assim as aprendizagens ativas”, diz.

Elisangela explica que o ano letivo de 2021 foi planejado contando com o retorno dos alunos às salas de aula, mesclando ensino presencial e remoto. Assim, em fevereiro, a implementação do ensino híbrido começou de forma escalonada e alternada. Enquanto um grupo ia à escola para atividades de acolhimento e sondagem, o outro assistia às aulas do Programa Vem Aprender pelo canal aberto TV Educativa, desenvolvido pela Secretaria. Nessa organização, o encontro presencial teria a possibilidade de aplicar o que foi apresentado na TV no momento remoto.

Professora Dirce Aparecida Vasselechen. Aula sobre o Sistema Respiratório do Programa Vem Aprender/Reprodução

Porém, com mudanças nas restrições e o fechamento das escolas por meio de decreto estadual, a partir de março as estratégias de ensino híbrido foram adaptadas para o modelo remoto.

“Não alteramos o calendário, nem a formação dos grupos, porém, o atendimento que era presencial passou a ser remoto. Assim, enquanto permanecemos com as escolas fechadas, estamos atendendo os alunos no modelo remoto com uma semana de aulas pela TV e outra de aulas organizadas conforme estratégias da professora, como grupos de WhatsApp, vídeo chamadas, e outras”.

Apesar da mudança, Elisangela considera o ensino híbrido a melhor alternativa para este momento. Ao colocar em prática uma das estratégias deste ensino, a sala de aula invertida, mas no modelo remoto, a implementação no retorno poderá ser ainda mais eficaz. “Acreditamos que com a formação dos nossos professores, com um bom esclarecimento dos pais, essa estratégia será muito bem aceita”, diz.

Projeto de Ensino Híbrido para a rede de Ponta Grossa foi criado após os técnicos da Secretaria participarem do Curso de Ensino Híbrido para Educadores da Rede Pública desenvolvido pela Tríade Educacional.

Reprodução

Os cursos foram promovidos pela Tríade em parceria com Formar/Fundação Lemann nas Redes Municipais de Ensino de Ponta Grossa e Castro, no Paraná, e Francisco Morato e Taubaté, em São Paulo, e Teresina, no Piauí, além da Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco.

Ao todo, a formação tem 20 horas e divide-se em oito módulos, nos quais são estudados os pilares que compõem o ensino híbrido: personalização do ensino; as diferentes definições de ensino híbrido e seus modelos; o uso de recursos digitais e quais se adaptam melhor ao contexto do cursista; estudos de caso com variados exemplos de aplicação do ensino híbrido, e reflexões de como implantá-lo de acordo com as necessidades e viabilidade de cada rede. No início e no fim do curso, também há um encontro síncrono com Lilian Bacich e Leandro Holanda, da Tríade, com o esclarecimento de dúvidas e direcionamentos importantes. Como última tarefa, os cursistas entregam uma proposta de implementação considerando os possíveis cenários de retorno às aulas. No início de 2021, Lilian participou de uma formação online com a equipe docente do município para apoiar no esclarecimento de dúvidas e na implementação da proposta.

“Na primeira semana de funcionamento das aulas com essa organização, percebemos uma grande aceitação das equipes pedagógicas, dos pais e dos alunos”, conta a educadora. “O ensino híbrido possibilita a organização dos alunos em grupos menores e é a aprendizagem que ganha um novo formato”, finaliza Elisangela.

Artigo publicado no blog da Tríade Educacional, em http://www.triade.me, e reproduzido com autorização.

Saiba mais sobre os cursos da Tríade para 2021 em www.triade.me/cursos

Professora Milene, aula de Arte do Programa Vem Aprender/ Reprodução

Ensino Híbrido em ação: a sala de aula invertida

Ensino Híbrido: colocando o estudante no centro do processo

Ensino Híbrido não é uma metodologia, identifiquei, na minha tese, como uma abordagem. Nesta abordagem, em que o online e o presencial se complementam, considerando o estudante no centro do processo, várias metodologias podem ser utilizadas. A sala de aula invertida é uma delas.

A sala de aula invertida não é uma metodologia exclusiva do Ensino Híbrido. Podemos verificar vários autores que já trataram dessa proposta (entre eles, Bergmann) antes dela ser incluída como uma das possibilidades de conectar o online e o presencial com o foco nas aprendizagens dos estudantes. É muito comum ouvir dos professores: “Eu já usava sala de aula invertida e nem sabia”. Muitos deles, usavam mesmo. Outros, passavam uma tarefa de casa, ou uma leitura anterior à aula, e, assim, pensam que já utilizavam essa metodologia. Mas, não é bem isso… Vamos tentar alinhar esse conceito?

A sala de aula invertida e a Taxonomia de Bloom

Utilizando a Taxonomia de Bloom como referência, veja como podemos esclarecer melhor o papel da sala de aula invertida. Na sala de aula “tradicional”, é comum, durante a aula, o trabalho com os níveis inferiores da taxonomia de Bloom (recordar e entender), deixando para casa as atividades que envolvem processos cognitivos superiores (aplicar, analisar, avaliar e criar). Na sala de aula invertida, acontece o contrário: o tempo durante a aula é usado para explorar esses processos cognitivos mais complexos. De acordo com Bergmann (2018), não basta somente inverter a pirâmide, é necessário um enfoque maior na aplicação e na análise dos conceitos, o que ele nomeia por modelo de diamante da taxonomia de Bloom, supondo que a área maior da pirâmide representa um maior tempo em sala de aula dedicado àquele nível, ou seja, para a aplicação e para a análise.

Sala de aula invertida e a Taxonomia de Bloom (BERGMANN, 2018)

Assim, enviar uma tarefa para os alunos realizarem em casa e corrigi-la na sala de aula não é o que a sala de aula invertida considera no modelo diamante da taxonomia, nem, tampouco, pedir para o estudante ler um texto em casa para que o professor explique aquele conteúdo a partir do que eles entenderam do texto.

Sala de aula invertida no Ensino Híbrido

Vamos analisar como esse olhar para os processos cognitivos ocorre na prática, considerando o Ensino Híbrido? Veja este exemplo:

Sala de aula invertida e rotação por estações.

Neste planejamento, é possível considerar estudantes que estão em casa e que estão na escola fazendo parte do mesmo grupo e se comunicando por meio dos dispositivos móveis, no caso desta disponibilidade na instituição de ensino, é possível considerar grupos de trabalho que ocorrem virtualmente e outros presencialmente, mas todos passam pelas mesmas propostas, como sugeri neste texto.

Você consegue identificar outras possibilidades? Compartilhe nos comentários caso tenha utilizado esse modelo em suas aulas! Em março, teremos um curso específico para tratar do planejamento e da avaliação de aulas que consideram o Ensino Híbrido e, caso tenha interesse, inscreva-se aqui.