Ensino Híbrido: algumas publicações

Neste post, compartilho algumas publicações em que estive envolvida em 2020 e 2021. Nelas, o objetivo é apoiar escolas e redes a repensar o retorno às aulas presenciais com o foco no Ensino Híbrido. Há diferentes definições para o termo e, nas publicações que apresento a seguir, há possibilidades para refletir sobre o potencial do Ensino Híbrido promover uma reflexão de estratégias pedagógicas que impactem na implementação do currículo e no desenvolvimento integral dos estudantes. Segue breve resumo das publicações e os links para acesso ao material completo.

Nota técnica 18, produzida em parceria com o CIEB

Nessa Nota Técnica, escrita em parceria com Lúcia Dellagnelo e Maria Alice Carraturi, foi possível apresentar reflexões sobre a visão de uma escola conectada e um retorno às aulas que também considere o desenvolvimento de competências digitais de estudantes e de educadores. A Nota também traz reflexões sobre a implementação que precisam ser consideradas para um uso qualificado da proposta em sala de aula. Acesse aqui!

Artigo publicado por FGV/CEIPE em abril/2021

Nesse artigo, escrito em parceria com José Moran e com o apoio da Elisângela Florentino, trazemos reflexões sobre a ideia de uma educação híbrida, que incorpora as definições de Metodologias Ativas, do Ensino Híbrido e que vai além nas orientações para a formação docente que considera o uso de diferentes recursos para promover a equidade. O documento número 14 está disponível no site da FGV-Ceipe. Acesse aqui!

Espero que aproveitem o acesso a esses materiais, multipliquem em suas escolas e redes e deixem seus comentários por aqui sobre suas impressões. Boa leitura!

Escolhas e o futuro da educação

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Nestes últimos tempos, nós, pesquisadores da educação, somos muito questionados sobre como vemos o futuro da educação a partir de tudo que estamos vivendo hoje, pressionados pelo uso de tecnologias digitais, ou pela completa ausência delas em muitas realidades no nosso país.

Somente podemos contemplar a educação em uma perspectiva de futuro. Embora seja realizada no presente, sempre dará seus frutos não hoje, mas no futuro, em um momento que estará mais ou menos próximo do presente. Essa condição tem que nos importar, precisamente por isso, porque educar é fazer algo pelo “dia de amanhã”, que é dos outros que nos seguirão.

SACRISTÁN, 2015.

Quando pensamos em filmes que apresentam a viagem no tempo como temática (sempre adorei!!), vemos a preocupação dos roteiristas sobre não alterar nenhum evento no passado para que o futuro não seja comprometido. Então, e se pudéssemos fazer o contrário: mudar alguma coisa no passado recente para que o que vivemos hoje na educação estivesse sendo diferente, o que seria? Desde as questões mais distantes do que podemos fazer como educadores, como oferecer recursos digitais (entre muitas outras coisas) para todos os estudantes do país, como aconteceu no Plano Ceibal do Uruguai, até aquelas que dependem diretamente das experiências educacionais que promovemos nas instituições de ensino. E é sobre isso que gostaria de dedicar este texto.

Se nossas escolhas anteriormente fossem diferentes em alguns pontos, talvez os resultados hoje fossem outros:

  1. Desenvolvimento da autonomia dos estudantes: se os estudantes fossem estimulados a investigar, desde os anos iniciais, tendo tempos de estudo mediados por educadores, mas com propostas a serem realizadas de forma mais autônoma e responsável, revisando seu trabalho durante todo o processo, identificando pontos de melhora e, com apoio de pais e educadores, procurando avançar para construir conhecimentos e perceber a validade do processo para a além da nota do bimestre, o que seria diferente de muitos desafios que temos hoje?
  2. Aprendizagem significativa: se as propostas estudadas na escola estivessem sempre relacionadas aos desafios do mundo real, ou gerassem propósito por interessar os estudantes em resolver problemas significativos; se os educadores preparassem suas aulas para apoiar os estudantes na identificação desses problemas, mas que o tempo de apresentação de “conteúdos” escolares fosse muito menor do que o tempo dedicado para o desenvolvimento de habilidades, gerando mais protagonismo dos estudantes nesse processo.
  3. Colaboração: se a centralidade não estivesse em ouvir uma aula, mas em viver uma aula, trabalhando em duplas, trios, pequenos grupos, aprendendo nas relações humanas que se estabelecessem nesse processo, com pares, sempre com o suporte e a mediação de educadores que desenham esse contorno das interações possíveis nesse processo.
  4. Avaliação: se avaliar fizesse parte do processo, e não apenas uma constatação do término dele, envolvendo a avaliação por rubricas, portfólios, autoavaliação, com feedback constante para que as evidências de aprendizagem dessem condições de que todos os envolvidos (estudantes, educadores, pais) pudessem avançar juntos para o próximo passo, ou retomar o que fosse necessário, sem a preocupação com a nota no fim do percurso.

Esses são apenas algumas preocupações que estudantes, pais e educadores têm relatado no momento em que vivemos hoje… Mas o propósito do meu texto não é “chorar o leite derramado”: é refletir sobre escolhas. Aquelas que precisamos fazer hoje. As escolhas que fizemos, no passado, apontaram para os desafios que estamos vivendo hoje. Então, aquelas escolhas que fizermos no retorno às aulas presenciais, hoje, também irão impactar sobre o que teremos no futuro da educação.

O futuro como um lugar ou espaço do tempo não existe no presente, mas é no presente que somos chamados a intervir para condicioná-lo.

SACRISTAN, 2015.

Se esse retorno nos der possibilidades de avançar em relação aos desafios que apontei acima, será que não teremos um futuro de que poderemos nos orgulhar? Se os recursos digitais utilizados agora, no retorno às aulas, tiverem a função de ser mais um espaço de aprendizagem, no lugar de ser um meio de transmissão de aulas expositivas, será que não desenvolveremos mais habilidades dos estudantes, principalmente se elas forem avaliadas como processo? Se os espaços de aprendizagem, online, remoto, físico (sala de aula, quadra, praça) que precisamos desenhar agora forem utilizados para aquilo que podem ofertar como experiência de aprendizagem, respeitando os limites e possibilidades de cada espaço, será que não teremos mais oportunidades de tornar a aprendizagem mais significativa? Se a relação entre os estudantes der condições para a construção colaborativa de conhecimentos, mediados ou não por recursos digitais, envolvendo quem está em diferentes locais, será que não conseguiríamos descentralizar ainda mais o papel do professor e valorizar a colaboração e a empatia nas ações realizadas na escola?

São essas algumas das reflexões sobre escolhas que precisamos sempre fazer como educadores… Convido você a explorar outros textos que escrevi por aqui sobre os desafios da implementação do ensino híbrido e compartilho a referência do texto do Sacristán que provocou essas minhas reflexões:

SACRISTÁN, J. G. Por que nos importamos com a educação no futuro? in JARAÚTA, B. e IMBERNÓN (orgs.) Pensando no futuro da educação: uma nova escola para o século XXII. Porto Alegre: Penso, 2015.

Com diálogo e envolvimento de educadores e familiares, ensino híbrido se torna sinônimo de inovação em escola de Guarulhos (SP)

No processo de retorno às aulas presenciais, Colégio Carbonell acredita que mudanças nas estratégias de ensino são fundamentais na adaptação ao contexto da pandemia da COVID-19

[Reportagem publicada originalmente no site da Tríade Educacional]

Foi relendo o Projeto Político Pedagógico do Colégio Carbonell, em Guarulhos (SP), que a mantenedora Andrea Lourenço e demais educadores chegaram à conclusão de que a implementação das estratégias de ensino híbrido é o melhor caminho para o retorno às aulas no contexto da pandemia da COVID-19.

“Nos deparamos com um trecho que nos ajudou a buscar outra forma de retomar as aulas em 2021: É nossa responsabilidade como educadores e como cidadãos trabalhar com inteligência para ajudar o país a superar o atraso histórico no campo da educação.  E, para isso, temos que compreender que a escola terá de mudar porque o mundo mudou. O aluno não pode ser mais, como foi no passado recente, um repositório de conhecimentos. A barreira a ser transposta está muito mais alta. O aluno terá que aprender a pensar, aprender a aprender. Pois o mundo que ele irá encontrar, ao concluir os estudos, vai ser muito diferente do que aquele que havia no início da sua caminhada como estudante. Novas profissões terão surgido. E outras atividades tradicionais terão sido esquecidas. A escola não pode mais correr o risco de formar alunos em áreas que talvez não existam no futuro Assim, entendemos que o ensino híbrido seria a melhor alternativa para esse retorno.  Feita a escolha, partimos para nos aprofundar ainda mais nos estudos e preparar os professores”, explica Andrea.

Colégio Carbonell conta com cerca de 700 alunos, da Educação Infantil ao Médio, e desde 2009 tem Andrea Lourenço à frente. A seguir a educadora explica como o ensino híbrido se mostrou uma alternativa em tempos de incertezas e restrições. Ele foi aplicado até meados de março de 2021, quando a volta gradativa dos estudantes estava autorizada.

Até a publicação desta reportagem, a escola conta com 100% de ensino remoto por orientação das autoridades sanitárias para o Estado de São Paulo, mas o Carbonell mantém o desafio de retornar ao presencial, assim que possível, nos moldes em que iniciou o ano letivo.

Desafios e propostas

“Diante das incertezas e restrições, entrei em contato com Lilian Bacich, líder pedagógica da Tríade, para uma conversa com nossos professores sobre as estratégias do ensino híbrido. Naquele momento tive a confirmação: o ensino híbrido seria a nossa escolha, mesmo com as adaptações que o momento nos impõe, e também após a pandemia.

Se pensarmos no mundo dinâmico em que vivemos, a forma de ensinar pouco ou nada se afetou nos últimos anos. Neste sentido, a pandemia acabou trazendo grandes transformações. Entendemos que, para superarmos esse momento, é necessário muito estudo e disposição, e acreditamos que a mudança é fundamental para a sobrevivência das instituições de ensino.

Os educadores foram guerreiros em 2020 e continuam com grandes desafios em 2021. Não é fácil mudar as estratégias de uma forma tão rápida. São anos de uma prática única, entrando na sala e trabalhando sobre um tablado. São anos de aulas expositivas que deram muito certo.

Assim, dialogamos com gestores de escolas que puderam retornar às aulas ainda em 2020. Conhecer as dificuldades que tiveram nos ajudou a entender que a simples transmissão de aulas era algo que não queríamos mais fazer. O Carbonell é um colégio inquieto e preocupado em preparar os estudantes para o mundo. Como então poderíamos continuar ‘dando aulas’ e acreditando que o aluno continuaria passivo?”

Na prática

“Em fevereiro de 2021, quando estava autorizado o retorno gradativo às aulas, iniciamos com um grupo de estudantes online e um grupo presencial. Além disso, dividimos nosso bimestre em fases para melhor organizar os tempos e as nossas análises sobre o processo de implantação.

Pedimos aos professores que criassem roteiros de estudos para que os alunos que estão em casa pudessem estudar no que chamamos ‘modo autônomo’. Organizamos uma agenda com momentos de autonomia e momentos presenciais com todos os educadores. Nossa intenção era a de que quando o estudante estivesse com o professor, aproveitasse intensamente.

O retorno dos alunos chegou repleto de desafios. Para que tudo acontecesse da melhor forma, preparamos a equipe de professores, apresentamos a proposta aos pais, explicamos aos alunos e acompanhamos o planejamento. Ainda assim, a ansiedade foi inevitável, com familiares e alunos emocionados, e até mesmo sem dormir na noite anterior ao retorno”.

Andrea Lourenço

Recomeço, adaptação e aprimoramento

“Mantivemos em fevereiro um trabalho intenso de conversas individuais, reuniões por segmento, por série e grupos. Houve certa resistência das famílias no princípio, porque achavam que as crianças não iriam se adaptar, mas elas seguiram todos os protocolos de saúde e progrediram de forma autônoma e muito responsável. Além disso, os estudantes perceberam o quão rico é estar com o professor depois de já ter estudado, lido e feito exercícios.

Entendemos que adotamos um modelo distinto da prática usual. O diferente gera ansiedade e insegurança, mas também contribui para o     desenvolvimento de muitas habilidades importantes. O aprendizado ativo precisa acontecer nas escolas, com o foco no estudante, tendo o professor como mediador e orientador do processo de aprendizagem.

Percebemos a importância de adaptarmos o trabalho aos poucos, ouvindo alunos e famílias, mas percebemos uma maior compreensão que o modelo anterior à pandemia, que tradicionalmente tem o professor no centro do processo, não cabe mais. Temos muito para aprender e melhorar, mas os resultados foram muito satisfatórios”.

O Colégio Carbonell participou da formação de professores em 2021, desenvolvida pela Tríade Educacional. Para conhecer o trabalho que desenvolvemos para as escolas privadas, entre em contato conosco por email (contato@triade.me) e para saber mais sobre os cursos da Tríade, acesse www.triade.me/cursos

Rede municipal de Ponta Grossa adota ensino híbrido para o retorno às aulas presenciais

Apesar de algumas adaptações por conta da pandemia da COVID-19, a abordagem tem se mostrado eficaz

O ensino híbrido tem se mostrado uma importante alternativa aos desafios enfrentados pelos educadores da rede municipal de ensino de Ponta Grossa, no Paraná, no planejamento de retorno às aulas presenciais.

“Como o momento inspira muitos cuidados, avaliamos a estrutura de nossas escolas e concluímos que, para garantir o distanciamento previsto no protocolo de segurança, teríamos que dividir as turmas em dois grupos, um com aulas presencial e outro com aula remota”, explica Elisangela Chlebovski Martins, educadora que atua na Gerência do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal do município. “De acordo com cada grupo, o educador também pode desenvolver a aprendizagem dos estudantes com estratégias mais específicas, favorecendo assim as aprendizagens ativas”, diz.

Elisangela explica que o ano letivo de 2021 foi planejado contando com o retorno dos alunos às salas de aula, mesclando ensino presencial e remoto. Assim, em fevereiro, a implementação do ensino híbrido começou de forma escalonada e alternada. Enquanto um grupo ia à escola para atividades de acolhimento e sondagem, o outro assistia às aulas do Programa Vem Aprender pelo canal aberto TV Educativa, desenvolvido pela Secretaria. Nessa organização, o encontro presencial teria a possibilidade de aplicar o que foi apresentado na TV no momento remoto.

Professora Dirce Aparecida Vasselechen. Aula sobre o Sistema Respiratório do Programa Vem Aprender/Reprodução

Porém, com mudanças nas restrições e o fechamento das escolas por meio de decreto estadual, a partir de março as estratégias de ensino híbrido foram adaptadas para o modelo remoto.

“Não alteramos o calendário, nem a formação dos grupos, porém, o atendimento que era presencial passou a ser remoto. Assim, enquanto permanecemos com as escolas fechadas, estamos atendendo os alunos no modelo remoto com uma semana de aulas pela TV e outra de aulas organizadas conforme estratégias da professora, como grupos de WhatsApp, vídeo chamadas, e outras”.

Apesar da mudança, Elisangela considera o ensino híbrido a melhor alternativa para este momento. Ao colocar em prática uma das estratégias deste ensino, a sala de aula invertida, mas no modelo remoto, a implementação no retorno poderá ser ainda mais eficaz. “Acreditamos que com a formação dos nossos professores, com um bom esclarecimento dos pais, essa estratégia será muito bem aceita”, diz.

Projeto de Ensino Híbrido para a rede de Ponta Grossa foi criado após os técnicos da Secretaria participarem do Curso de Ensino Híbrido para Educadores da Rede Pública desenvolvido pela Tríade Educacional.

Reprodução

Os cursos foram promovidos pela Tríade em parceria com Formar/Fundação Lemann nas Redes Municipais de Ensino de Ponta Grossa e Castro, no Paraná, e Francisco Morato e Taubaté, em São Paulo, e Teresina, no Piauí, além da Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco.

Ao todo, a formação tem 20 horas e divide-se em oito módulos, nos quais são estudados os pilares que compõem o ensino híbrido: personalização do ensino; as diferentes definições de ensino híbrido e seus modelos; o uso de recursos digitais e quais se adaptam melhor ao contexto do cursista; estudos de caso com variados exemplos de aplicação do ensino híbrido, e reflexões de como implantá-lo de acordo com as necessidades e viabilidade de cada rede. No início e no fim do curso, também há um encontro síncrono com Lilian Bacich e Leandro Holanda, da Tríade, com o esclarecimento de dúvidas e direcionamentos importantes. Como última tarefa, os cursistas entregam uma proposta de implementação considerando os possíveis cenários de retorno às aulas. No início de 2021, Lilian participou de uma formação online com a equipe docente do município para apoiar no esclarecimento de dúvidas e na implementação da proposta.

“Na primeira semana de funcionamento das aulas com essa organização, percebemos uma grande aceitação das equipes pedagógicas, dos pais e dos alunos”, conta a educadora. “O ensino híbrido possibilita a organização dos alunos em grupos menores e é a aprendizagem que ganha um novo formato”, finaliza Elisangela.

Artigo publicado no blog da Tríade Educacional, em http://www.triade.me, e reproduzido com autorização.

Saiba mais sobre os cursos da Tríade para 2021 em www.triade.me/cursos

Professora Milene, aula de Arte do Programa Vem Aprender/ Reprodução

Ensino Híbrido em ação: a sala de aula invertida

Ensino Híbrido: colocando o estudante no centro do processo

Ensino Híbrido não é uma metodologia, identifiquei, na minha tese, como uma abordagem. Nesta abordagem, em que o online e o presencial se complementam, considerando o estudante no centro do processo, várias metodologias podem ser utilizadas. A sala de aula invertida é uma delas.

A sala de aula invertida não é uma metodologia exclusiva do Ensino Híbrido. Podemos verificar vários autores que já trataram dessa proposta (entre eles, Bergmann) antes dela ser incluída como uma das possibilidades de conectar o online e o presencial com o foco nas aprendizagens dos estudantes. É muito comum ouvir dos professores: “Eu já usava sala de aula invertida e nem sabia”. Muitos deles, usavam mesmo. Outros, passavam uma tarefa de casa, ou uma leitura anterior à aula, e, assim, pensam que já utilizavam essa metodologia. Mas, não é bem isso… Vamos tentar alinhar esse conceito?

A sala de aula invertida e a Taxonomia de Bloom

Utilizando a Taxonomia de Bloom como referência, veja como podemos esclarecer melhor o papel da sala de aula invertida. Na sala de aula “tradicional”, é comum, durante a aula, o trabalho com os níveis inferiores da taxonomia de Bloom (recordar e entender), deixando para casa as atividades que envolvem processos cognitivos superiores (aplicar, analisar, avaliar e criar). Na sala de aula invertida, acontece o contrário: o tempo durante a aula é usado para explorar esses processos cognitivos mais complexos. De acordo com Bergmann (2018), não basta somente inverter a pirâmide, é necessário um enfoque maior na aplicação e na análise dos conceitos, o que ele nomeia por modelo de diamante da taxonomia de Bloom, supondo que a área maior da pirâmide representa um maior tempo em sala de aula dedicado àquele nível, ou seja, para a aplicação e para a análise.

Sala de aula invertida e a Taxonomia de Bloom (BERGMANN, 2018)

Assim, enviar uma tarefa para os alunos realizarem em casa e corrigi-la na sala de aula não é o que a sala de aula invertida considera no modelo diamante da taxonomia, nem, tampouco, pedir para o estudante ler um texto em casa para que o professor explique aquele conteúdo a partir do que eles entenderam do texto.

Sala de aula invertida no Ensino Híbrido

Vamos analisar como esse olhar para os processos cognitivos ocorre na prática, considerando o Ensino Híbrido? Veja este exemplo:

Sala de aula invertida e rotação por estações.

Neste planejamento, é possível considerar estudantes que estão em casa e que estão na escola fazendo parte do mesmo grupo e se comunicando por meio dos dispositivos móveis, no caso desta disponibilidade na instituição de ensino, é possível considerar grupos de trabalho que ocorrem virtualmente e outros presencialmente, mas todos passam pelas mesmas propostas, como sugeri neste texto.

Você consegue identificar outras possibilidades? Compartilhe nos comentários caso tenha utilizado esse modelo em suas aulas! Em março, teremos um curso específico para tratar do planejamento e da avaliação de aulas que consideram o Ensino Híbrido e, caso tenha interesse, inscreva-se aqui.

TPACK: refletindo sobre o uso de recursos digitais

Selecionar os melhores recursos digitais a serem utilizados em sala de aula precisam ir além da generalização de que qualquer recurso será útil em qualquer situação de aprendizagem. Temos estudado sobre diferentes modelos de identificação dos melhores recursos e um deles é a reflexão sobre os estudos que apresentam o modelo TPACK. Selecionei um trecho da minha tese, a seguir, em que abordo esse modelo.

[…]

Outros estudos analisaram processos de integração das tecnologias às práticas pedagógicas (Mishra & Koehler, 2006; Puentedura, 2012). O modelo TPACK, por exemplo, valoriza as relações entre o conteúdo a ser ensinado e aprendido, o aspecto pedagógico, ou seja, a metodologia que norteará o processo ensino e aprendizagem, e a tecnologia que estará envolvida nele. Para os autores (Mishra & Koehler, 2006), a intersecção entre conteúdo, metodologia e tecnologia é um aspecto central a ser analisado nos processos de formação docente e

Outros estudos analisaram processos de integração das tecnologias às práticas pedagógicas (Mishra & Koehler, 2006; Puentedura, 2012). O modelo TPCK, por exemplo, valoriza as relações entre o conteúdo a ser ensinado e aprendido, o aspecto pedagógico, ou seja, a metodologia que norteará o processo ensino e aprendizagem, e a tecnologia que estará envolvida nele. Para os autores (Mishra & Koehler, 2006), a intersecção entre conteúdo, metodologia e tecnologia é um aspecto central a ser analisado nos processos de formação docente e reforçam que o conhecimento da tecnologia não pode ser isolado do conhecimento da metodologia e do conteúdo.

Pedagogical Technological Content Knowledge. Fonte: Mishra & Koehler, 2006, p.1025

Na figura que ilustra o modelo TPCK, é possível identificar a combinação entre esses conhecimentos. Os autores reforçam a importância das intersecções entre eles. Conhecer o conteúdo a ser ensinado é importante, porém, identificar as melhores formas de um estudante aprender esse conteúdo selecionando a metodologia mais adequada é essencial, o que é indicado na intersecção entre C (conteúdo) e P (pedagogia = metodologia). Conhecer os recursos tecnológicos e saber como utilizá-los é insuficiente se não houver uma associação com a metodologia mais adequada e das relações eficientes entre os recursos e os conteúdos, o que é indicado na intersecção T (tecnologia) e P, e na intersecção T e C. A relevância dessa composição para o processo ensino e aprendizagem será evidente ao cruzarmos todos esses conhecimentos: TPC.

O papel do professor, ao fazer uso das tecnologias digitais, baseado nos objetivos de aprendizagem que pretende atingir, supõe, portanto, uma análise da abordagem pedagógica mais adequada a ser utilizada.

Como afirmam Coll e Monereo (2010, p. 31), “A imagem de um professor transmissor de informação, protagonista central das trocas entre seus alunos e guardião do currículo começa a entrar em crise em um mundo conectado por telas de computador”.

Nesse aspecto, a condução da aula, em que o estudante está no centro do processo, tem maior aderência a esse propósito do que o modelo de “palestra” em que o professor expõe o mesmo conteúdo, a todos os estudantes, ao mesmo tempo e da mesma forma. Como afirma Almeida (2005), a configuração dos papéis do professor e do aluno em métodos ativos de aprendizagem associados às tecnologias digitais possibilita a reflexão sobre as teorias pedagógicas e sua associação com as práticas em sala de aula.

Quando refletimos sobre a forma que os estudantes podem fazer uso das tecnologias digitais como fonte de informações e construção de conhecimentos, é importante a reflexão sobre o que é solicitado deles como tarefas de aprendizagem. As propostas feitas pelos professores devem ser objeto de reflexão para esses estudantes. Por exemplo, a busca de informações e o resultado dessa busca, em uma sociedade digital, habitada por um grande número de nativos digitais que frequentam nossas escolas, é algo que ocorre de uma forma cada vez mais interativa e em uma velocidade muito maior do que a estrutura atual de nossas escolas consegue assimilar. Copiar e colar as informações obtidas no primeiro site que é apresentado ao aluno em uma ferramenta de busca, como o Google, é uma atitude corriqueira em atividades de pesquisa realizada por alunos de qualquer faixa etária. Ao buscar informações, o aluno deve aprender a procurar sites confiáveis e, principalmente, a verificar, de forma crítica, o conteúdo por eles apresentado. Por outro lado, se a proposta de pesquisa, feita pelo professor, limitar-se a um levantamento de dados, todos os sites apresentarão respostas semelhantes e copiar e colar será a melhor forma de realizar a tarefa proposta. O professor deve, então, propor atividades que busquem uma comparação, uma postura reflexiva ou, ainda, a utilização de informações pessoais, decorrentes do que foi trabalhado em sala de aula, para resolver a questão. Assim, pesquisar sobre a descoberta da vacina e sua utilização é um tipo de proposta em que a resposta será encontrada em muitos sites. Mas, relacionar a importância das vacinas com os impactos em sua saúde, comparando as carteirinhas de vacinação dos colegas com as vacinas que devem ser tomadas em cada faixa etária, entre outras possibilidades, torna única a resposta e, dessa forma, não será encontrada uma pesquisa pronta sobre o assunto. A busca de informações toma, então, outras proporções, outros caminhos, outras formas. […]

Espero que essas reflexões, trecho da minha tese, defendida em 2016 e que pode ser acessada no banco de teses da USP e cuja referência segue abaixo, sejam úteis. Em nossos cursos, na Tríade Educacional, temos abordado outros modelos para escolhas de recursos digitais e, futuramente, compartilharei por aqui.

Martins, Lilian C. Bacich.(2016). Implicações da organização da atividade didática com uso de tecnologias digitais na formação de conceitos em uma proposta de Ensino Híbrido. 317f. Tese (Doutorado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. p.57-59

Ensino Híbrido ≠ Transmissão de aula: como aprimorar a experiência se transmitir aulas é sua opção?

Fonte> Pixabay

Repetidamente tenho afirmado, em palestras, formações e outros espaços: transmissão de aula presencial não se apoia nas referências que utilizo para definir ensino híbrido. Sabemos que muitas instituições, apoiadas no que viveram no período remoto, com foco nas aulas síncronas, pressionadas, muitas vezes, pelas famílias, entrando em contato com exemplos divulgados pela mídia, ou por empresas que comercializam equipamentos e, principalmente, por uma impressão de que essa seria a melhor escolha para atender a todos os estudantes, optaram pela transmissão das aulas presenciais. Erroneamente, essa transmissão vem sendo definida como ensino híbrido, provocando preocupação, revolta e, até mesmo, expondo a dificuldade de professores e instituições em tirarem o melhor proveito dessa ação, pois não se identifica o papel do espaço online e o papel do espaço presencial como meios diferentes de construção de conhecimento.

Em textos anteriores (como neste) aqui do blog eu já apontei os motivos para não confundirmos uma coisa com a outra e, neste, gostaria de começar a fazer um movimento diferente… Sabemos bem que não adianta um feedback que não ofereça caminhos para aprimorar e é este o propósito: oferecer opções para que a transmissão da aula fique em segundo plano e que o ensino híbrido, com foco na personalização e no uso das tecnologias digitais para a aprendizagem assuma o papel principal.

Apresentei alguns desafios da aula simultânea, ou transmissão de aula presencial, neste texto e apresento, a seguir, uma possibilidade para que o ensino híbrido apoie na solução deste desafio.

Atenção do professor aos estudantes

Sabemos bem que em uma aula simultânea é muito difícil manter a mesma qualidade de atenção para quem está presencialmente e quem está online. Então, o primeiro desafio é tirar o “simultâneo” do planejamento. Se organizarmos estações de trabalho: estação professor, estação trabalho individual, estação trabalho em grupo conseguimos variar as experiências de aprendizagem, trabalhar com grupos menores e realmente identificar as necessidades e facilidades dos estudantes, apoiando a identificação de onde os estudantes estão, em relação às aprendizagens, e onde precisam chegar.

Veja como funciona a rotação por estações na prática:

Imagine que o professor tenha organizado 3 estações de trabalho> estação individual, estação grupo, estação professor. Em cada estação há uma etapa de trabalho, com propostas que valorizam o desenvolvimento de habilidades e todas elas produzem evidências da aprendizagem.

E, neste modelo, como o professor organiza essas ações em grupo para quem está online? Veja uma sugestão.

Vejam que elas são concomitantes e podem ser organizadas para que o professor não precise ficar com microfone (headset), nem ter microfones pra capturar as vozes dos estudantes, garantindo privacidade a todos! A princípio pode parecer um trabalho maior do professor e sabemos que não é fácil esse tipo de planejamento, porém, em longo prazo, as aulas simultâneas podem apresentar mais desgaste do que esse tipo de organização que é mais metodológica do que tecnológica.

Então, é esse o propósito deste texto e, se gostarem dele, ou já realizaram algo semelhante (espero que os professores incríveis que já passaram por nossos cursos tenham se inspirado nessas soluções) avisem por aqui! Muita força aos professores para lidarem com esses novos desafios e bom trabalho a todos!!

Ensino Híbrido: reflexões sobre a etapa online

No Ensino Híbrido, consideramos que a interação dos estudantes com os recursos digitais, que são possibilidades de geração de dados sobre as aprendizagens autônomas, individuais ou em grupo, sejam alinhadas com as interações face a face, no espaço físico da instituição de ensino. Ao refletir sobre o apoio que é possível oferecer aos estudantes para avançar em relação ao desenvolvimento da autonomia, encontrei uma reflexão produzida pelos professores Jonathan Bergmann e Dan Jones sobre processos cognitivos (apoiados na Taxonomia de Bloom) e os níveis de suporte necessários de acordo com o tipo de interação (síncrona e assíncrona).

Vamos refletir sobre essa representação.

BERGMANN, J. e JONES, D. Providing Ideal Support For Students in Remote Learning, 2021. (tradução nossa, com autorização dos autores)

Os processos cognitivos, desde os mais simples aos mais complexos, da memorização à criação, podem ser trabalhados no formato assíncrono ou no formato síncrono, quando tratamos do ensino remoto. No Ensino Híbrido, por sua vez, poderíamos substituir o síncrono pelos momentos presenciais em sala de aula. O quadro é interessante ao apresentar que, para os processos cognitivos mais simples, como memorização e compreensão, é possível pensar em menos suporte aos estudantes, ou seja, um trabalho individual e mais independente e que depende menos da intervenção do professor, enquanto que, quando pensamos em desenvolver processos mais complexos, como análise, avaliação e criação, temos uma possibilidade de ter trabalhos em grupo mais efetivos e, pela complexidade dos processos, envolver um maior suporte do educador.

Ao realizar essa análise e refletir sobre o Ensino Híbrido, quando a presença dos estudantes no espaço físico se torna possível, investir o suporte do professor para promover as interações (com os devidos cuidados sanitários) torna-se um melhor emprego do tempo presencial do que investi-lo nas atividades que requeiram memorização ou compreensão, frequentes quando temos a exposição de um conteúdo. As explicações sobre um conteúdo em que se espera a compreensão de informações, e não a aplicação para produzir conhecimentos podem ser, então, melhor exploradas nos momentos assíncronos quando o estudante está em casa.

A imagem levou-me a várias reflexões importantes e espero que tenha provocado o mesmo em você, leitor! Em nossos cursos deste semestre, incluímos esses pontos no debate e vamos explorar essas questões em diferentes perspectivas: gamificação, avaliação, personalização, recursos, entre outras temáticas.

Implementação do Ensino Híbrido: o que considerar?

Fonte: Disponível no Ebook da Tríade Educacional

Ensino híbrido é uma abordagem que considera a interação entre o que é realizado online (ou remotamente) e o que é realizado em uma relação face a face com o educador, no espaço físico da escola. Essa interação, mais do que unir atividades remotas e presenciais, tem como foco a personalização e, para isso, considera o estudante no centro do processo.

Reforçar essa definição apoia a escolha de estratégias que considerem pedagogigamente a implementação do Ensino Híbrido. O que está por trás dessa implementação é o olhar para o quanto podemos avançar migrando de uma proposta centrada no professor, em que é ele o responsável por “transmitir” informações, lógica do século XX, em que a escola era o local em que era possível obter informações, além das enciclopédias e dos livros na biblioteca, para uma lógica do século XXI, em que a escola é o local para a construção coletiva de conhecimentos e onde é possível o desenvolvimentos de processos cognitivos mais complexos.

Assim, este momento que estamos vivendo, em uma migração do remoto para o híbrido, poderá apoiar um processo que considere os estudantes como protagonistas e que possibilite o desenvolvimento da autonomia, principalmente de estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e, obviamente, do Ensino Superior.

Para aprofundar essas reflexões, baseados em pesquisas e nossos estudos sobre o Ensino Híbrido, desenvolvemos um ebook com algumas sugestões que podem ser consideradas nessa implementação, principalmente para apoiar a formação continuada de professores. Para baixar o ebook, é só acessar o formulário disponível aqui. Esperamos que seja útil!

“NO ENSINO HÍBRIDO, O ON-LINE POTENCIALIZA O MOMENTO PRESENCIAL”, EXPLICA LILIAN BACICH

Abaixo, trecho de entrevista publicada no site do Instituto Unibanco.

O que é o ensino híbrido?

Lilian: O ensino híbrido é uma abordagem que envolve a conexão entre aquilo que o aluno faz online ou mesmo off-line, mas com o uso de recursos digitais, e aquilo que ele faz presencialmente numa sala de aula física. Quando você combina essas duas experiências de aprendizagem e tem como foco a personalização, aí você está realizando o ensino híbrido com essa proposta de um estudante mais ativo, no centro do processo e de uma avaliação formativa.

Como potencializar os momentos presenciais e on-line?

Além do potencial de estimular a autonomia e o protagonismo do aluno, o on-line também é um meio importante do professor ou da escola coletar informações sobre esse aluno. Por exemplo, se ele fez um mapa mental, o professor já pode a partir desse mapa mental identificar o que ele tem de dificuldade, de facilidade, que tópico ele poderia aprofundar mais. Se ele assistiu a uma videoaula e respondeu a um formulário depois, a escola tem dados quantitativos para saberem o percentual de acertos, o quanto ele apresentou de dúvida. Essas informações potencializam o momento presencial. No ensino híbrido a gente entende que o momento presencial, em que o aluno está face a face com o professor, é o momento para troca, olho no olho, em que o aluno deve estar mais desconectado que conectado, especialmente nesse retorno das escolas, desenvolver a argumentação, o debate, a própria aplicação dos aprendizados que ele trabalhou em casa, aprofundando conhecimentos ou esclarecendo alguma dúvida.

Caso esse aluno não tenha o contato digital na casa dele, que a escola também seja esse espaço para que ele entre em contato com essa cultura digital e possa desenvolver esses desafios on-line na escola também, mas não no mesmo tempo em que ele está com o professor. A gente tem alguns modelos de ensino híbrido que promovem esse revezamento entre o on-line e o face a face com o professor.

A gente tem exemplos de escolas públicas que conseguiram reconfigurar o espaço do laboratório de informática, no sentido de que não tem as mesas enfileiradas, mas espalhadas. E aí você tem um espaço em que os alunos podem trabalhar desconectados com o professor, as vezes numa roda de conversa, ou próximo do laboratório, enquanto que outra parte podem fazer o contato com o digital de uma forma mais individual, principalmente se não teve acesso nesse período em casa. Esse é o modelo chamado de laboratório rotacional, de uso do laboratório de informática.

Com a reabertura parcial e gradual das escolas, como promover a inclusão dos alunos que não têm acesso à internet e aos dispositivos tecnológicos no âmbito do ensino híbrido?

Quando a gente olha para esse modelo do laboratório rotacional, ele é uma estratégia que pode ser muito útil para gente trazer para a cultura digital aqueles alunos que nesse período ou no dia a dia não têm acesso ao digital na casa deles. O Laboratório Rotacional é uma boa experiência para que a gente leve os alunos para o contato digital e ao mesmo tempo tenha a possibilidade de fazer o face a face com o professor e desenvolver outras habilidades.

A gente tem o modelo da sala de aula invertida, em que o aluno se prepara para a aula presencial e nesse se preparar ele pode usar o on-line se ele tiver ou uma mídia social, muitas redes utilizaram o whatsapp, os recursos digitais e outras utilizaram a tevê e o rádio que não se configuram no ensino híbrido mas numa visão ampliada, que é o que a gente vem defendendo, de uma educação híbrida, que pode dar acesso a outros recursos para aqueles que não têm acesso ao digital.

Uma das linguagens que é preciso trabalhar com os alunos nesse século 21 é o acesso à cultura digital. Se ele não teve esse acesso e foi feito algo que cumprisse esse papel por meio de material impresso, TV, a escola não pode se abster dessa possibilidade de quando o aluno voltar a frequentar o espaço físico da escola, é um jeito de lidar com essas desigualdades.

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