Ensino Híbrido não é uma metodologia, identifiquei, na minha tese, como uma abordagem. Nesta abordagem, em que o online e o presencial se complementam, considerando o estudante no centro do processo, várias metodologias podem ser utilizadas. A sala de aula invertida é uma delas.
A sala de aula invertida não é uma metodologia exclusiva do Ensino Híbrido. Podemos verificar vários autores que já trataram dessa proposta (entre eles, Bergmann) antes dela ser incluída como uma das possibilidades de conectar o online e o presencial com o foco nas aprendizagens dos estudantes. É muito comum ouvir dos professores: “Eu já usava sala de aula invertida e nem sabia”. Muitos deles, usavam mesmo. Outros, passavam uma tarefa de casa, ou uma leitura anterior à aula, e, assim, pensam que já utilizavam essa metodologia. Mas, não é bem isso… Vamos tentar alinhar esse conceito?
A sala de aula invertida e a Taxonomia de Bloom
Utilizando a Taxonomia de Bloom como referência, veja como podemos esclarecer melhor o papel da sala de aula invertida. Na sala de aula “tradicional”, é comum, durante a aula, o trabalho com os níveis inferiores da taxonomia de Bloom (recordar e entender), deixando para casa as atividades que envolvem processos cognitivos superiores (aplicar, analisar, avaliar e criar). Na sala de aula invertida, acontece o contrário: o tempo durante a aula é usado para explorar esses processos cognitivos mais complexos. De acordo com Bergmann (2018), não basta somente inverter a pirâmide, é necessário um enfoque maior na aplicação e na análise dos conceitos, o que ele nomeia por modelo de diamante da taxonomia de Bloom, supondo que a área maior da pirâmide representa um maior tempo em sala de aula dedicado àquele nível, ou seja, para a aplicação e para a análise.

Assim, enviar uma tarefa para os alunos realizarem em casa e corrigi-la na sala de aula não é o que a sala de aula invertida considera no modelo diamante da taxonomia, nem, tampouco, pedir para o estudante ler um texto em casa para que o professor explique aquele conteúdo a partir do que eles entenderam do texto.
Sala de aula invertida no Ensino Híbrido
Vamos analisar como esse olhar para os processos cognitivos ocorre na prática, considerando o Ensino Híbrido? Veja este exemplo:

Neste planejamento, é possível considerar estudantes que estão em casa e que estão na escola fazendo parte do mesmo grupo e se comunicando por meio dos dispositivos móveis, no caso desta disponibilidade na instituição de ensino, é possível considerar grupos de trabalho que ocorrem virtualmente e outros presencialmente, mas todos passam pelas mesmas propostas, como sugeri neste texto.
Você consegue identificar outras possibilidades? Compartilhe nos comentários caso tenha utilizado esse modelo em suas aulas! Em março, teremos um curso específico para tratar do planejamento e da avaliação de aulas que consideram o Ensino Híbrido e, caso tenha interesse, inscreva-se aqui.
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