Vamos conversar sobre STEAM?

Ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, em inglês, compõem as iniciais da palavra STEAM. O termo tem sido utilizado com as iniciais em inglês por ser um movimento mundial e, cada vez mais, tem sido recorrente nos discursos educacionais e, por esse motivo, talvez, vemos surgir estratégias que prometem revolucionar a educação por meio dessa abordagem. Começo esse texto defendendo que não há uma bala de prata na educação: não é por meio do STEAM, das metodologias ativas, dos projetos que iremos solucionar todos os desafios na educação. Mas, com muito equilíbrio, pode ser mais uma das peças desse enorme quebra-cabeça que precisamos montar para desenvolver habilidades tão importantes para os cidadãos do século XXI.

“É importante estabelecer que não existe uma única metodologia ou estratégia que seja capaz de transformar a educação. Esse processo é lento e requer planejamento minucioso, seja o planejamento das atividades que serão realizadas para proporcionar essas experiências de aprendizagem, seja um planejamento institucional estratégico que envolva um redesenho de espaços, de infraestrutura, da formação docente.”

BACICH e HOLANDA, 2020

Para trazer as questões fundamentais do STEAM que temos defendido, pois há muitas e variadas definições para a abordagem, levanto 3 pontos pra começo de conversa:

1. STEAM como abordagem e não como metodologia

Se o acrônimo trata da reunião de áreas (ciências, tecnologia, engenharia, artes e matemática), não há como encontrarmos um passo a passo para a execução de propostas que consideram o STEAM em sua essência. Assim, não há um método para o STEAM, mas há elementos fundamentais que podem apoiar a escolha de um método adequado para a implementação da abordagem. Podemos considerar que a resolução de problemas e a inclusão das diferentes áreas na sua resolução, em um formato transdisciplinar, é uma das maneiras de considerarmos o STEAM na educação.

2. Robótica, pensamento computacional, maker podem fazer parte do STEAM, mas apenas o uso desses recursos não torna um projeto STEAM

O uso de uma estratégia de robótica, considerando a programação, o maker, etc., pra construir uma engenhoca sem que ela se relacione com um problema a ser resolvido (que é a essência da “engenharia”), apenas favorece o exercício de procedimentos importantes e interessantes, mas não trabalha com a essência do movimento STEAM education. Corremos o risco, como já vimos em outras situações, de nomear toda e qualquer experiência que utiliza a tecnologia digital como uma experiência STEAM.

3. A ciência e a tecnologia são fios condutores da abordagem STEAM, e sua implementação depende de um planejamento de longo prazo

Para não tornamos o STEAM mais uma palavra da moda, é importante ter clareza de que inseri-lo na construção de experiências de aprendizagem significa dar sentido às práticas realizadas. Ações pontuais, que não se incluem de forma orgânica à realidade de sala de aula, tendem a desaparecer do mesmo jeito que chegam… para considerar a ciência e a tecnologia nas rotinas escolares, fundamental que existam conexões entre aquilo que os educadores consideram suas necessidades e, mais ainda, que oferecem condições de promover o desenvolvimento integral dos estudantes.

Além desses pontos, há muitos outros e espero tornar esse post um início de conversa. Para isso, convido você a participar, nos comentários, com dúvidas ou reflexões sobre a abordagem. Vamos construir juntos?

Referência:

BACICH, Lilian; HOLANDA, Leandro. STEAM em sala de aula: a aprendizagem baseada em projeto integrando conhecimentos na educação básica. Porto Alegre: Penso, 2020.

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Publicado por Lilian Bacich

Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Educação (PUC), Pedagoga (USP) e Bióloga (Mackenzie), professora de Ensino Fundamental, Ensino Médio. Coordenadora de curso de Pós-graduação em Metodologias ativas no Instituto Singularidades. Organizadora dos livros: Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação; Metodologias ativas para uma educação inovadora. Cofundadora da Tríade Educacional. www.triade.me Contato: bacichlilian@gmail.com

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