Podemos exercitar empatia na escola?

A BNCC da educação básica aponta dez competências gerais que devem fazer parte dos nossos planejamentos escolares. A Competência 9 trata da empatia. Segundo o texto: “Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.”

Exercitar a empatia é um desafio, porque não parece algo que pode vir a fazer parte de um plano de aula… parece mais algo que fica subentendido em assuntos estudados na escola. Por exemplo, ao explicar como as pessoas morriam de doenças que podem ser solucionadas, hoje, com as campanhas de vacinação, o professor comenta: imagine o que era viver nessa época, ou estar no lugar dessas pessoas. Pode parecer que há um exercício de empatia, mas isso não é o suficiente para exercitar a competência em sala de aula. É preciso ir além. É importante organizar atividades que possibilitem esse exercício, sem que seja preciso dizer: agora, a aula é sobre empatia 😉

Jamil Zaki, professor de psicologia da Universidade de Stanford e um dos palestrantes da SXSW deste ano, discutiu a empatia ao comentar seu próximo livro: “The War for Kindness: Building Empathy in a Fractured World”. Zaki comenta sobre a importância da empatia em nossa sobrevivência e nas relações com o outro, cada vez conhecemos mais pessoas, mas as conhecemos menos. Para analisar formas de desenvolver essa competência, o autor conduziu estudos em que tentava convencer 1182 alunos do 7o ano de cinco escolas de São Francisco, de que a empatia era algo importante. Uma das formas de sensibilizar as pessoas que se mostrou mais duradoura no pós-teste foi com o uso de Realidade Virtual.  Foi criada uma experiências imersiva em que os estudantes colocavam-se no lugar de um sem-teto e o fato de vivenciar essa experiência, mesmo que no formato virtual, sensibilizou o grupo para essa questão. Assim, conclui, empatia não é algo inato, mas uma competência que pode ser exercitada, desenvolvida.

Nesse sentido, temos visto exemplos de como exercitar a empatia em sala de aula em atividades como Role-play, que é um jogo de papéis em que, de acordo com algumas situações, você precisa argumentar defendendo algo que nem sempre é o que você pensa. Realizar uma atividade como essa, estruturada, e com uma proposta bem definida e, após dela, discutir sobre os sentimentos envolvidos nela pode ser um disparador importante para o debate. Outro exemplo que vale ser explorado é a atividade “Círculos Partidos”, apresentada por Rachel Lotan no livro Planejando o trabalho em grupo

Exercitar a empatia na escola é algo que requer planejamento e que, ainda nas palavras de Zaki, por ser algo “que corre risco de extinção”, vale dedicarmos algum tempo de nosso planejamento para incluí-la nas experiências de aprendizagem que desenhamos!

Um comentário em “Podemos exercitar empatia na escola?

  1. Parabéns Lilian, excelente texto. Muito vemos se falar sobre Empatia e pouco vemos em uso. Bora incluir na lista de exercícios diários??

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