Ensino híbrido: esclarecendo o conceito

Atualmente, como já comentei em postagens anteriores (A sala de aula “híbrida”; Ensino híbrido), há dúvidas em relação ao conceito de Ensino Híbrido… Reforço que, ao seguirmos um determinado caminho na definição de um termo, é importante nos apoiarmos em referências que nos ajudem nessa definição. Assim, inicio esse texto informando que as fontes que apoiam a definição são autores que nos ajudam a repensar a educação do século XXI, considerando o estudante no centro do processo.

O que significa Ensino Híbrido quando consideramos o estudante no centro do processo?

Ensino Híbrido tem como foco a personalização, considerando que os recursos digitais são meios para que o estudante aprenda, em seu ritmo e tempo, que possa ter um papel protagonista e que, portanto, esteja no centro do processo. Para isso, as experiências desenhadas para o online além de oferecerem possibilidades de interação com os conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades, também oferecem evidências de aprendizagem. A partir dessas evidências, nos momentos em que os alunos estão face a face com o professor, presencialmente, em uma sala de aula física, é possível que o professor utilize as evidências coletadas para potencializar a aprendizagem de sua turma.

Para atingir essa proposta, há alguns modelos defendidos por autores que publicaram pesquisas sobre Ensino Híbrido (BACICH, TANZI NETO, TREVISANI, 2015HORN e STAKER, 2015GARRISON e VAUGHAN, 2008) e esses modelos podem ser analisados na imagem a seguir.

Fonte: elaborada pela autora a partir da referência presente na imagem.

De acordo com essa definição, portanto, aulas que acontecem no espaço físico da escola e são transmitidas ao vivo para quem está em casa (modelo HOT) NÃO se incluem na definição de ensino híbrido; aulas que acontecem no modelo remoto, com alunos e professores em suas casas, mesmo que combinando momentos síncronos e assíncronos, NÃO se incluem na definição de ensino híbrido; enriquecer aulas presenciais com um jogo online, ou com a apresentação de um powerpoint NÃO se incluem na definição de ensino híbrido. Esses são alguns exemplos de equívocos que tenho observado… compartilhe nos comentários caso queira trazer mais reflexões sobre o tema: vou adorar ampliar essa conversa! Para aprofundar ainda mais a discussão e o estudo dessas referências, fica o convite para nossos cursos online.

Sabemos que tomar as melhores decisões, neste momento que estamos, não é algo simples, pois há vários fatores envolvidos. Porém, as escolhas a serem feitas devem estar bem embasadas e ter como foco a aprendizagem ativa dos estudantes. Apenas dessa forma conseguiremos desenvolver competências essenciais como pensamento crítico, resolução de problemas, colaboração, comunicação e criatividade!

Como citar? BACICH, Lilian. Ensino híbrido: esclarecendo o conceito. Inovação na educação. São Paulo, 13 de setembro de 2020. Disponível em: https://lilianbacich.com/2020/09/13/ensino-hibrido-esclarecendo-o-conceito/

Publicado por Lilian Bacich

Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Educação (PUC), Pedagoga (USP) e Bióloga (Mackenzie), professora de Ensino Fundamental, Ensino Médio. Coordenadora de curso de Pós-graduação em Metodologias ativas no Instituto Singularidades. Organizadora dos livros: Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação; Metodologias ativas para uma educação inovadora. Cofundadora da Tríade Educacional. www.triade.me Contato: bacichlilian@gmail.com

5 comentários em “Ensino híbrido: esclarecendo o conceito

  1. Concordo, Lilian. Existe um afã pelo uso de termos “inovadores” com o objetivo de mostrar-se “atualizado”. Escola, professores, universidades, “especialistas”, claro que não todos, por desconhecimento, dizem que fazem “ensino híbrido”. Mas beira mais ao marketing, propaganda enganosa. Isso significa que não passamos do primeiro estágio: a da apropriação dos termos. Pois o segundo, prática consciente, depende do primeiro. Sendo assim, textos como esse contribui e muito para o debate.

  2. Agradeço imensamente pela belíssima palestra , quero muito poder continuar vendo os seus trabalhos e com certeza levar estes conteúdos importantes para toda equipe de professores …

    Um grande abraço
    Vanusa Saia

  3. Ah, Lilian!! Como tenho sofrido ao ver e ouvir alguns “especialistas”, que na brecha da Pandemia têm se aproveitado pra vender ideias errôneas sobre o Ensino Hibrido. O que vejo, é um monte de gente, “catando” fragmentos e montando suas “teorias”, sem ao menos conhecer, de fato, a que se refere. Fazendo “cursos” Frankstein para ‘de’formar os docentes do país e assim termos mais um grande equívoco educacional. Estou pasma com a legião de colegas sendo enganados, e o pior, replicando o que têm ouvido…
    Triste Brasil.

  4. Olá Lilian!!!
    A partir do trecho “NÃO se incluem na definição de ensino híbrido; aulas que acontecem no modelo remoto, com alunos e professores em suas casas, mesmo que combinando momentos síncronos e assíncronos” emerge um questionamento. Na sua opinião, considerando o contexto de pandemia que estamos vivenciando, não é possível caracterizar como ensino híbrido as atividades intencionalmente planejadas e selecionadas para serem realizadas tanto nos momentos síncronos quanto nos assíncronos?

    Fraterno abraço

    Gislaine Fagundes

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