Planos de aula de Ciências – Nova Escola

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Desde novembro de 2017, estou envolvida com a produção dos Planos de Aula de Ciências que, agora, estão no ar. Foi um grande desafio aprofundar os estudos da BNCC, recém aprovada em dezembro, e elaborar uma estrutura que considerasse a investigação como uma premissa das aulas de Ciências. Além de toda a experiências de mais de 20 anos em sala de aula, lecionando Ciências e Biologia, a pesquisa envolvendo as metodologias ativas foi muito importante nesse desenho: a inspiração na Aprendizagem baseada em projetos e no STEM (sigla para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) foi decisiva! Comecei 2018 em Liverpool, não apenas conhecendo a terra dos Beatles, mas passei a primeira semana do ano na Conferência Anual da ASE (The Association for Science Education) na Universidade de Liverpool. Palestras e mais palestras, oficinas e mesas de debate apresentando o STEM fizeram com que eu tivesse ainda mais certeza que esse poderia ser um caminho para os planos. Assim, os planos de ciências (leia mais aqui) têm uma estrutura que envolve um contexto, uma questão disparadora, uma atividade mão na massa, e uma sistematização. Na hora do mão na massa, os professores do Time foram desafiados a criar propostas que envolvessem a argumentação, a experimentação, atividades práticas, uso de modelos, simuladores, entre outras atividades. A ideia é colocar o estudante no centro do processo, possibilitando que, por meio da prática, assuma uma postura protagonista (leia mais aqui)! Foi uma grande alegria acompanhar todas as etapas, desde a criação de planos modelo, o teste nas redes públicas, o processo seletivo, a Virada de autores, a produção dos planos e, agora, ver esse material no ar! Que bom ter tanta gente boa por perto! Minha gratidão a cada professor, mentor e especialista que esteve (e ainda está) comigo nessa jornada. Que estes planos possam fazer a diferença nas aulas de Ciências por esse país, assim como fizeram (e continuam fazendo) na minha trajetória profissional. Obrigada, Nova Escola, pela oportunidade de participar desse desafio com vocês!

Está curioso para ver esses planos sensacionais? Clique aqui para conhecê-los!

 

Etapas de apropriação das tecnologias digitais

A formação docente para a utilização das tecnologias digitais deve considerar diferentes contextos. Entre eles, e sobretudo, o tempo de apropriação das tecnologias digitais em situações de ensino e aprendizagem por parte dos educadores. Essa não é uma ação que ocorre de um dia para o outro. Estudos demonstram que se trata de um movimento gradativo e que ocorrem em etapas até que seja possível alcançar uma ação crítica e criativa por parte do professor na integração das tecnologias digitais em sua prática.

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Educação e cultura

A escola é a instituição que possibilita a manifestação e análise das concepções culturais de uma população. Estudantes apresentam concepções resultantes de seu dia a dia, conceitos considerados cotidianos e, na escola, têm a oportunidade de contrastá-los com os conceitos estruturantes, sistematizados.

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Metodologias ativas: desafios e possibilidades

A adaptação deste texto foi publicada em: BACICH, Lilian. Revista Pátio, nº 81, fev/abr, 2017, p. 37-39. Disponível em: https://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/13063/desafios-e-possibilidades-deintegracao-das-tecnologias-digitais.aspx

O desafio que encontramos, hoje, de acordo com o que identificamos em algumas pesquisas nacionais e internacionais, é que, apesar das instituições de ensino implementarem as tecnologias digitais em sua rotina, adotando computadores, tablets e outros equipamentos, ainda têm dificuldade em modificar as formas de lidar com o planejamento das aulas. Acabam fazendo uma transposição das aulas “tradicionais” para o modelo online e valorizando a exposição do conteúdo “de um para muitos” ou utilizando as tecnologias digitais como recurso que fica apenas nas mãos do professor, enriquecendo as aulas, mas não modificando a cultura escolar. Uma excelente infraestrutura, portanto, não é o suficiente: a mudança da cultura escolar não ocorre do dia para a noite e requer espaço de experimentação e de reflexão do grupo para que surta efeito.

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O que é inovar na educação?

Inovação tem sido tema recorrente em encontros, seminários, congressos de educação. Frequentemente, sou convidada a falar sobre o tema, tendo como foco as metodologias ativas, a aprendizagem por projetos, o ensino híbrido. Muitas vezes, inovar na educação é atrelado ao contexto de uso das tecnologias digitais na rotina escolar, levando as instituições a adquirirem recursos variados e que, nem sempre, cumprem seu papel…Continuar lendo “O que é inovar na educação?”

Colaboração, feedback e personalização nas metodologias ativas

Colaboração é uma das vantagens de utilização de abordagens que consideram a interação entre pares, como é comum nas metodologias ativas. A organização do espaço possibilita a colaboração e, também, a personalização uma vez que  a possibilidade da oferta de feedback às realizações de professores e de estudantes serão mais efetivas.Continuar lendo “Colaboração, feedback e personalização nas metodologias ativas”

Redes sociais: inimigas ou aliadas na sala de aula?

As redes sociais fazem parte da vida dos alunos e educadores e, por isso, adentram o espaço da escola quase que “involuntariamente”. Nesse aspecto, compreender esses repertórios e integrá-los em projetos que se apropriem educacionalmente desses recursos, identificando seu potencial pedagógico é o propósito deste curso de extensão que irei coordenar, no segundo semestre, no Instituto Singularidades.

São objetivos do curso:
– Refletir sobre o impacto das tecnologias digitais na educação;
– Refletir sobre os possíveis usos das redes sociais em sala de aula, envolvendo metodologias ativas e o ensino híbrido;
– Identificar estratégias de segurança digital em diferentes contextos;
– Analisar e elaborar narrativas gamificadas com o uso de redes sociais;
– Refletir sobre o uso consciente e crítico de redes sociais para o combate às fake news;
– Desenvolver projetos de uso educativo das redes sociais em sala de aula com o apoio do Design Thinking.

Para conhecer diferentes experiências e possibilitar reflexões sobre a temática, o curso conta com a participação das docentes responsáveis e de convidados de diferentes segmentos que têm experiência em projetos relacionados às redes sociais.

Para mais informações, clique aqui.

Ensino de Ciências e a BNCC

A participação como assessora no projeto Time de Autores da revista Nova Escola tem possibilitado o mergulho nas possibilidades e nos desafios de implementação da BNCC no Ensino Fundamental. Desde o início do projeto, preocupei-me com a elaboração de propostas que, mais do que oferecer possibilidades dos professores consultarem planos de aula de Ciências alinhados às habilidades da Base, dessem oportunidade de repensar as aulas de Ciências com um foco maior na investigação, no papel ativo do estudante na construção de conhecimentos nesta área. A formação dos professores para a adoção de uma metodologia ativa também esteve por trás de todo o processo, desde o desenho do processo seletivo até a proposta de produção dos planos. Na matéria a seguir, apresentei aqueles que consideram ser os elementos essenciais de uma boa aula de Ciências.

https://novaescola.org.br/conteudo/11671/como-preparar-uma-boa-aula-de-ciencias

Entrevista com Anne Baldisseri sobre Flag Time – Hora do Desafio®

Na coluna da eduqa.me,  apresento o resultado da entrevista realizada com Anne Baldisseri, Head of Primary Division na Avenues, sobre o Flag Time, proposta que valoriza a personalização por meio do levantamento de dados dos estudantes das séries iniciais.

Personalização nos anos iniciais

Em todas as etapas da escolarização, é um desafio para os professores agir em relação às dificuldades e facilidades identificadas em relação a cada um dos estudantes. Nas turmas de Educação Infantil, por exemplo há grande variedade de estratégias que podem ser utilizadas, mas, na maioria das vezes, o conteúdo principal é trabalhado com todo o grupo, como se todos aprendessem da mesma forma, ou no mesmo ritmo. Para vencer esse desafio, a educadora Anne Baldisseri, em sua vivência na direção de escolas internacionais, deu início a uma experiência denominada Flag Time – Hora do Desafio®. Durante a proposta, “as crianças trabalham em uma tarefa escolhida pelo professor de acordo com suas necessidades acadêmicas, pontos fortes e interesses. Uma pequena bandeira (origem do nome Flag Time) com o nome da criança indica a atividade ou qual será o seu desafio do dia.”, conta Anne.

A educadora explica que o Flag Time fornece aos professores e alunos uma oportunidade diária de ensino-aprendizagem especializado. Trata-se de um curto e rico momento, quando cada criança trabalhará em uma tarefa meticulosamente planejada pelo professor. Agrupamentos de aprendizagem são cuidadosamente determinados a partir da avaliação formativa, levando-se em conta todos os aspectos da aprendizagem, como cognitivo, emocional, social, etc. Esses grupos variam a cada aula em sua composição à medida da necessidade educacional dos alunos. Flag Time também gera uma oportunidade estruturada para que professores avaliem seus alunos, coletando dados e interferindo a partir deles.

Para o Flag time, você precisa de 6 etapas:

1. Avaliação: identificando os interesses dos estudantes, seus pontos fortes e suas necessidades acadêmicas.

2. Direcionamento e agrupamento: organizando atividades que estejam adequadas às necessidades individuais dos estudantes, utilizando uma pequena bandeira com o nome ou a fotografia do aluno, dependendo da faixa etária, para que este possa identificar a atividade produzida e escolhida especificamente para ele. Agrupá-los estrategicamente, de modo que todos sejam devidamente desafiados, mas ao ponto de serem capazes de executar e finalizar a atividade com sucesso

3. Instruções e Comandos: descrevendo as atividades de cada um dos agrupamentos de aprendizagem  e explicando em relação à gestão do tempo.

4. Aprendizagem por meio de Flag Time: encorajando os alunos a identificarem suas bandeiras e iniciarem as atividades, sendo acompanhados, sempre que necessário, pelo professor. É essencial que o professor registre os resultados em uma planilha, para que possa personalizar a e oferecer novas oportunidades em aulas seguintes.

5. Monitoramento e Reflexão diários: ao término, sistematizar e retomar os aspectos importantes relativos à rotina da atividade executada durante o Flag Time. Cada aluno deve explicar suas reflexões para o professor ou para um colega.

6. Potfólio de aprendizagem individual semanal: convidar os alunos a escolherem uma das atividades concluídas na semana, por exemplo, a que mais gostaram, a mais interessante, etc. Pedir que escrevam um pequeno comentário sobre ela. Colar uma foto referente a atividade seguida do comentário do aluno, dependendo da faixa etária, pode ser interessante.

Anne reforça que essa abordagem difere de outros modos de instrução diferenciada em três aspectos significativos. Primeiramente, centra-se nas competências específicas que precisam ser corrigidas ou ampliadas, ao invés de versões mais fáceis ou mais difíceis de uma mesma tarefa. Em segundo lugar, o plano de cada tarefa possibilita que o aluno exercite a autonomia e a auto-regulação, ao realizar a auto-avaliação ao término do processo. O terceiro aspecto é que os interesses e os pontos fortes dos alunos são projetados para a tarefa de aprendizagem, favorecendo um maior engajamento.

Quando pensamos no uso de recursos digitais, em um modelo como o Flag Time é possível identificar momentos em que as tecnologias digitais podem ser inseridas no processo. Ao registrar as necessidades e as facilidades dos estudantes, podem ser propostas atividades utilizando-se recursos digitais que estejam mais adequados àquele momento do processo.

Para a seleção dos recursos digitais, é essencial pensarmos no papel de curadoria do professor. Não é qualquer recurso digital que vai atender aos objetivos de aprendizagem de cada aluno porém, ao exercitar a curadoria, o educador vai elaborando um acervo de recursos que podem ser utilizados sempre que necessário. Outra questão importante: alguns alunos podem ter uma proposta digital enquanto outros têm atividades que não envolvem tecnologias digitais, estimulando momentos de interação com os pares e colaboração na resolução de problemas, por exemplo. As aproximações do modelo Flag Time com a abordagem do Ensino Híbrido são inúmeras, além de ser considerado uma proposta que motiva os estudantes das séries iniciais.

Lilian Bacich é Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (IP-USP) e Mestre em Educação pela PUC/SP. Atuou por mais de 20 anos na Educação Básica e, atualmente, é Consultora de Metodologias Ativas pela Tríade Educacional, além de estar envolvida com as ações relacionadas ao projeto Ensino Híbrido

A escrita dessa coluna foi feita em parceria com: Anne Taffin d’Heursel Baldisseri, doutora em zoologia, atualmente faz parte de um grupo de pesquisas na UNIFESP, onde pretende completar seu Pós-doutorado sobre bilinguismo, leitura e motivação. Anne foi diretora da Educação Infantil na St. Paul’s School e hoje é ‘Head of Primary Division’ na Avenues: The World School. Anne ministra cursos sobre instrução diferenciada e avaliação formativa, bem como sobre como construir uma cultura sustentável de alta performance com pais e professores. Contato: annebaldisseri@gmail.com.