Aprendizagem Baseada em Projetos: desafios da sala de aula em tempos de BNCC

Artigo publicada pela autora, em parceria com Leandro Holanda, na Revista Educatrix, ano 8, no 14, 2018. Disponível aqui.

Em meio a uma gama de novas metodologias de aprendizagem, nem tudo que vemos é tão novo assim… Projetos, por exemplo, são amplamente adotados no ambiente educacional e nos acompanham desde sempre. É difícil determinar em que momento eles foram inseridos nas práticas docentes, mas é certo que todo professor já criou ou participou de algum projeto em sua escola, seja o projeto da mostra literária, ou da feira de ciências, projeto água, projeto super-heróis. Essas ações surgem nas instituições de ensino com o objetivo de integrar conteúdos curriculares e relacioná-los a temas que precisam ser discutidos no ambiente escolar e que, em algumas situações, não fazem parte do currículo da instituição. Dessa maneira, passam a fazer parte na forma de projetos. Continue lendo “Aprendizagem Baseada em Projetos: desafios da sala de aula em tempos de BNCC”

Personalização na prática: algumas reflexões

Artigo publicado pela autora na Revista de Educação do SESI-SP

Estudos sobre personalização costumam gerar dúvidas e indicar uma certa impossibilidade de implementação quando nos deparamos, por exemplo, com a quantidade de estudantes em sala de aula e pensamos em professores que lecionam para muitas turmas em uma ou, até mesmo, em mais do que uma instituição de ensino. Além disso, uma recente pesquisa (PANE, 2017) realizada em escolas que indicavam a personalização como uma de suas principais estratégias nos últimos dois anos, demonstrou dificuldade na identificação de quais as abordagens que envolviam a personalização eram utilizadas nas instituições e, por esse motivo, não apresentou resultados conclusivos. Conceituar personalização, nesse caso, seria uma das principais necessidades. O que estamos considerando ao falar em personalização? Qual é, efetivamente, o papel dos estudantes e dos educadores? Como os recursos digitais podem ser aliados nessa abordagem? Continue lendo “Personalização na prática: algumas reflexões”

POR QUE METODOLOGIAS ATIVAS NA EDUCAÇÃO?

As metodologias ativas estão cada vez mais na pauta de discussão de eventos, encontros   materiais publicados na área de educação. Nunca se falou tanto em inovar processos  educacionais, rever práticas, formar professores para uma educação transformadora e considerar os estudantes como protagonistas, desenvolvendo sua autonomia no decorrer da escolaridade. Tendemos a considerar como mais um modismo, ou como mais uma  novidade, que logo vai passar. Nesse caso, especificamente, não há nada de novo. Os estudos de John Dewey (1959), pautados pelo aprender fazendo (learning by doing) em experiências com potencial educacional, convergem com as ideias de Paulo Freire (1996), em que as experiências de aprendizagem devem despertar a curiosidade do aluno, permitindo que, ao pensar o concreto, conscientize-se da realidade, possa questioná-la e, assim, a construção de conhecimentos possa ser realmente transformadora. Em tempos de tecnologias digitais essas premissas tornam-se ainda mais urgentes, pois o concreto envolve uma ampla gama de informações, disponíveis na palma da mão, e que podem ser bem ou mal utilizadas, dependendo do contexto em que estão inseridas.

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O que não vai mudar na educação

Um texto em um blog que fala sobre inovação na educação começando dessa forma não é muito usual, não é mesmo?

Tenho acompanhado alguns autores que discutem inovação na educação no mundo e acabei me deparando com artigos escritos por mais de um deles abordando essa temática e fiz um levantamento do que eles apontam para compartilhar por aqui. Alguns pontos levantados pelos autores (vejam todos os links lá no final) fizeram com que eu pensasse em algumas coisas… Vamos lá: Continue lendo “O que não vai mudar na educação”

Sobre ensino e aprendizagem

“Teaching and learning are correlative or corresponding processes, as much so as selling
and buying. One might as well say he has sold when no one has bought, as to say that he has taught when no one has learned” (Dewey, 1910, p. 29)

Para Dewey, então, não podemos dizer que ensinamos algo se ninguém aprendeu, assim como não podemos dizer que vendemos se ninguém comprou. Continue lendo “Sobre ensino e aprendizagem”

As tecnologias digitais e seu papel transformador nas ações de ensino e aprendizagem

Apresento neste texto alguns trechos extraídos da minha tese.

TDIC – Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação – ou TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação – ou, ainda NTIC – Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação – são alguns dos termos utilizados pelos pesquisadores desta área e podem ser considerados, de certa forma, sinônimos. Coll e Monereo afirmam que

“Entre todas as tecnologias criadas pelos seres humanos, aquelas relacionadas com a capacidade de representar e transmitir informação – ou seja, as tecnologias da informação e da comunicação – revestem-se de uma especial importância, porque afetam praticamente todos os âmbitos de atividades das pessoas, desde as formas e práticas de organização social até o modo de compreender o mundo, de organizar essa compreensão e de transmiti-la para outas pessoas.” (Coll & Monereo, 2010, p.17).

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Planos de aula de Ciências – Nova Escola

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Desde novembro de 2017, estou envolvida com a produção dos Planos de Aula de Ciências que, agora, estão no ar. Foi um grande desafio aprofundar os estudos da BNCC, recém aprovada em dezembro, e elaborar uma estrutura que considerasse a investigação como uma premissa das aulas de Ciências. Além de toda a experiências de mais de 20 anos em sala de aula, lecionando Ciências e Biologia, a pesquisa envolvendo as metodologias ativas foi muito importante nesse desenho: a inspiração na Aprendizagem baseada em projetos e no STEM (sigla para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) foi decisiva! Comecei 2018 em Liverpool, não apenas conhecendo a terra dos Beatles, mas passei a primeira semana do ano na Conferência Anual da ASE (The Association for Science Education) na Universidade de Liverpool. Palestras e mais palestras, oficinas e mesas de debate apresentando o STEM fizeram com que eu tivesse ainda mais certeza que esse poderia ser um caminho para os planos. Assim, os planos de ciências (leia mais aqui) têm uma estrutura que envolve um contexto, uma questão disparadora, uma atividade mão na massa, e uma sistematização. Na hora do mão na massa, os professores do Time foram desafiados a criar propostas que envolvessem a argumentação, a experimentação, atividades práticas, uso de modelos, simuladores, entre outras atividades. A ideia é colocar o estudante no centro do processo, possibilitando que, por meio da prática, assuma uma postura protagonista (leia mais aqui)! Foi uma grande alegria acompanhar todas as etapas, desde a criação de planos modelo, o teste nas redes públicas, o processo seletivo, a Virada de autores, a produção dos planos e, agora, ver esse material no ar! Que bom ter tanta gente boa por perto! Minha gratidão a cada professor, mentor e especialista que esteve (e ainda está) comigo nessa jornada. Que estes planos possam fazer a diferença nas aulas de Ciências por esse país, assim como fizeram (e continuam fazendo) na minha trajetória profissional. Obrigada, Nova Escola, pela oportunidade de participar desse desafio com vocês!

Está curioso para ver esses planos sensacionais? Clique aqui para conhecê-los!

 

Etapas de apropriação das tecnologias digitais

A formação docente para a utilização das tecnologias digitais deve considerar diferentes contextos. Entre eles, e sobretudo, o tempo de apropriação das tecnologias digitais em situações de ensino e aprendizagem por parte dos educadores. Essa não é uma ação que ocorre de um dia para o outro. Estudos demonstram que se trata de um movimento gradativo e que ocorrem em etapas até que seja possível alcançar uma ação crítica e criativa por parte do professor na integração das tecnologias digitais em sua prática.

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